Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 13/01/2021
“O conhecimento é, em si mesmo, um poder”. Essa afirmação do filósofo inglês Francis Bacon simboliza a importância de se discutir sobre o analfabetismo funcional no Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, em 2019, a taxa de analfabetismo caiu para 6,6%. Apesar disso, testes cognitivos aplicados também em 2019, pelo Instituto Montenegro e pela Ação Educativa para 2002 pessoas residentes nas áreas urbanas e rurais de todo país, revelaram que 29% delas são analfabetas funcionais. Isso significa, que apresentaram dificuldades de utilizar e refletir sobre a informação escrita. Essa vicissitude tem origem inegável tanto nos modelos arcaicos de educação, que desconsideram a multiplicidade das capacidades individuais, quanto na carência infraestrutural das escolas públicas.
Sob esse viés, a humanidade foi habituada à histórica relação hierárquica entre professores e alunos, a qual subjuga a autonomia criativa das pessoas, ao aprendizado construído sobre a cópia e memorização excessivas. Contra essa corrente educacional enraizada, Paulo Freire propôs que ao invés do aprendizado mecânico, lançando letras e palavras descontextualizadas das vidas dos educandos, a alfabetização deve ocorrer mediante a discussão das experiências, dos problemas e dos cotidianos de cada um deles. Dessa forma, eles tendem a se tornar mais aptos e estimulados a ler e a elaborar reflexões críticas.
Ademais, sabe-se que a infraestrutura escolar exerce um papel fundamental na efetividade da construção dos indivíduos. Diante disso, percebe-se que salas de aula distantes ou muitas vezes improvisadas, sem luz, aonde professores tem apenas uma lousa e alguns gizes para ministrar suas aulas, representa o contrário do que se estabelece pelo Plano Nacional da Educação no que diz respeito à presença de energia elétrica, saneamento básico, quadras de esporte e bibliotecas. Segundo um estudo intitulado Movimento Todos pela Educação, 20% dos colégios públicos do país não apresentam água tratada. Sendo assim, conclui-se que, sem o básico para garantir o conforto de alunos e professores, torna-se desestimulante querer aprender mais.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir os impactos do analfabetismo funcional. O Ministério da Educação deve promover reformas educativas em toda rede pública e privada do país, por meio de um aumento de suprimento de professores qualificados e desenvolvendo projetos para lapidar habilidades de interpretação e reflexão. Cabe ao Governo Federal aumentar as verbas destinadas à estrutura das escolas públicas, propiciando mais salas de informática e bibliotecas, a fim de aumentar as ferramentas para o aprendizado. Assim, os alunos estarão mais engajados.