Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 13/01/2021

O filme “Central do Brasil”, um clássico brasileiro, retrata a história de Dora, uma amargurada ex-professora que ganha dinheiro escrevendo cartas para pessoas analfabetas com a falsa promessa de enviá-las a seus familiares. Fora da ficção, muitos brasileiros se encontram em situação de vulnerabilidade por não saberem ler ou escrever muito bem, é o caso dos analfabetos funcionais. Tal situação decorre, principalmente, da desigualdade socioeconômica e do preconceito que assola o país, fatos os quais representam enormes entraves para reduzir tal impasse.

Diante desse cenário, vale ressaltar que as disparidades socioeconômicas possuem um grande impacto no elevado número de analfabetos funcionais existentes. De acordo com o Índice de Gini, medida que classifica o nível de desigualdade de um país, o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo. Nesse sentido, essa cruel discrepância gera evasão escolar por parte de muitos estudantes, isso porque precisam, desde cedo, trabalhar para que possam ajudar a sustentar a família. Desse modo, parcela da sociedade brasileira é impedida de ter um pleno acesso à educação, o que leva à uma formação incompleta, agravando seriamente tal situação.

Outrossim, convém enfatizar que a falta de empatia de muitos cidadãos contribui para a persistência desse impasse. Segundo o filósofo contemporâneo Mário Sérgio Cortella, a sociedade brasileira é tão preconceituosa que utiliza o termo analfabeto como uma ofensa. Nessa perspectiva, grande parte das pessoas que tentam retomar os estudos em uma idade mais avançada enfrentam não só as dificuldades no aprendizado, mas também o preconceito, o qual geralmente provém da parcela mais privilegiada da população. Tal cenário acaba por gerar um forte constrangimento e uma frustração que leva muitas vezes à desistência, impedindo assim, a redução da problemática.

Portanto, evidencia-se que alternativas são necessárias para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Dessa forma, é necessário que o Governo invista nas regiões mais necessitadas para proporcionar condições igualitárias, através de programas que incentivem a permanência na escola e que possam ajudar as famílias que precisam. Além disso, é imperativo que o Ministério da Educação, órgão responsável por cuidar do sistema educacional brasileiro, execute palestras e campanhas de conscientização, as quais possam ser divulgadas na mídia, sobre a importância do aprendizado mesmo na fase adulta, a fim de que aqueles que desejam voltar a estudar sintam-se encorajados e o preconceito contra essa situação possa diminuir. Com tais ações, o número de analfabetos funcionais no país poderá, enfim, ser reduzido e o papel executado por Dora no longa não será mais necessário.