Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Conforme as pesquisas anuais referentes à taxa de analfabetismo no Brasil, realizadas pelo IBGE, é notória a sua diminuição, mesmo que paulatinamente, nos últimos anos. Entretanto, à medida que a taxa de analfabetismo absoluto decresce, a taxa de analfabetismo funcional aumenta. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude do legado histórico e da base educacional lacunar, sendo fundamental, desse modo, analisá-los e buscar alternativas que reduzam esse imbróglio.

Inicialmente, é importante pontuar que a educação escolar, durante séculos, foi restrita às elites, como na Roma Antiga, na qual apenas os patrícios tinham acesso ao conhecimento. Dessa forma, criou-se uma perspectiva de que apenas a alta sociedade deveria ter acesso ao conhecimento, enquanto que as camadas populares deveriam trabalhar desde a adolescência, como nos tempos antigos. Ademais, percebe-se que há baixo estímulo das famílias aos jovens de classes baixa e média a buscarem a mobilidade social, pois já estão conformados a conviver nessa situação devido ao legado histórico dos privilégios da aristocracia. Por conseguinte, tem-se uma sociedade que preza pela manutenção da problemática, conservando a falta de conhecimento e a baixa capacidade de interpretação nas diversas faixas etárias.

Além disso, a base educacional lacunar é alarmante quando avaliada. Conforme a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio na área de linguagens de 2019, não houve melhoria nos últimos anos, o que representa o baixo nível de investimento na qualidade da educação. Uma das causas é a progressão continuada nas escolas públicas, na qual os alunos são aprovados mesmo sem ter compreendido o conteúdo do ano. Ademais, há baixa valorização do educador, que, muitas vezes, reflete na qualidade do ensino. Dessa forma, as escolas formam cidadãos com dificuldade de compreender textos e realizar operações básicas, desenvolvendo o analfabeto funcional.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Cabe ao Ministério da Educação - órgão do Governo Federal encarregado desde a alfabetização até o ensino superior da população - criar conteúdos publicitários direcionados, sobretudo, aos jovens, que explicitem as vantagens de possuir boa comunicação - como a possibilidade de uma boa posição no mercado de trabalho - e de dominar a linguagem da norma culta. Isso pode ser feito por meio da publicidade nas redes sociais, como Instagram e Youtube, utilizando as verbas governamentais, a fim de diminuir a taxa de analfabetismo entre os brasileiros. Assim, o Brasil poderá elevar seu IDH no que tange à educação e diminuir o número de analfabetos funcionais.