Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 15/01/2021

A Constituição federal de 1988 assegura a todos os cidadãos o direito à educação de qualidade, tendo em vista que é considerada um fator fundamental para o bem-estar social. Entretanto, na atual conjuntura brasileira, a falta de investimento no ensino básico e o aumento da disseminação de notícias falsas, as chamadas fake news, corroboram para o agravamento do analfabetismo funcional. Sendo assim, é necessário analisar os aspectos que favorecem a manutenção da problemática, a fim de encontrar alternativas para cessá-la.

A princípio, vale salientar que a educação básica no Brasil vem sofrendo com a carência de recursos financeiros, além da utilização de métodos de aprendizado arcaicos, uma vez que continuam com metodologias extremamente semelhantes às usadas no século XIX. Nesse sentido, o renomado educador e filósofo pernambucano, Paulo Freire, afirma que ensinar não é transferir conhecimento, mas sim criar possibilidades para sua própria produção. Contudo, isso não ocorre no sistema educacional brasileiro, visto que uma parcela significativa de estudantes, é, na realidade, analfabeta funcional. Ou seja, não possui capacidade de analisar criticamente informações que lhe são apresentadas. Desse modo, medidas sociais e governamentais são necessárias para atenuar tal problema.

Nesse viés, é importante destacar que a crescente propagação de fake news decorre, principalmente, da ausência de conhecimento prático dos usuários, que acabam apenas reproduzindo as notícias que circulam nas redes de comunicação, sem o devido cuidado de checar as fontes antes do seu compartilhamento. Dessa maneira, esse fenômeno pôde ser observado na eleição presidensial do Brasil em 2018, na qual o então candidato, Jair Messias Bolsonaro (PSL), foi eleito com a ajuda da disseminação de notícias falsas acerca de seus opositores. Um exemplo disso foi o denominado “kit gay”, que na verdade era apenas um projeto do Mistério da Educação, chamado Escola Sem Homofobia, que, no entanto, não chegou a ser implantado. Assim, observa-se mais uma consequência da compreensão errônea por parte da população desse país.

Portanto, para atenuar os impactos causados pelo analfabetismo funcional, é imprescindível que providências sejam tomadas. Logo, o Governo Federal deve desenvolver um projeto de lei que visse atualizar o sistema de ensino brasileiro, por meio de planos integrativos e da capacitação dos profissionais da área, colocando em prática os pensamentos de Paulo Freire, com o intuito de tornar não apenas o ensino básico mais efetivo, mas também todos os outros níveis. Com essas e outras medidas, que a sociedade possa verdadeiramente gozar do direito à educação de qualidade.