Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 15/01/2021

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, para o desenvolvimento pleno de uma sociedade, é imprescindível a presença da “solidariedade orgânica”, a qual consiste na interdependência e na diversidade entre os indivíduos, de modo a gerar um meio coeso e harmônico. Todavia, o analfabetismo funcional no Brasil denota uma quebra dessa diretriz solidária, haja vista que a inoperância do governo perante as políticas públicas voltadas para a educação, bem como a falta de discernimento diante das imagens veiculadas pelas redes mostram-se presentes no âmbito social. Urge, pois, a necessidade de que medidas sejam tomadas pelo governo para se minimizar esse desafio.

Em primeira análise, a dificuldade de compreensão de leituras apresenta-se como um prejuízo ao progresso social de muitos cidadãos. Segundo Rousseau, o contrato social consiste em um acordo que estabelece como dever do Estado a garantia da liberdade e do bem estar do homem, como organizador de uma sociedade justa e igualitária. Apesar da relevância desse pensamento, o governo neoliberal, com base na filosofia capitalista de lucro, prioriza a economia de retorno imediato em detrimento das áreas sociais como a educação, portanto observa-se um ensino precário e de pouca qualidade. Ademais, grade parte da população, embora teoricamente alfabetizada e saiba reconhecer letras e números, fica incapaz de compreender textos e de realizar operações matemáticas mais elaboradas. Devido à falta de desenvolvimento intelectual, a prática de quaisquer tarefas do cotidiano torna-se um grande desafio para milhares de brasileiros, situação que compromete sua produtividade e, consequentemente, as chances de melhoria de vida.

Em segunda análise, a falta de criticidade diante das informações propagadas pelas mídias digitais denota um outro fator agravante desse quadro. Platão, em sua obra “A República”, desenvolve a metáfora conhecida como alegoria da caverna em que aponta a falsa percepção da realidade sobre sentidos básicos sem análise, pautada no pensamento racional. Sob esse viés, vale ressaltar o fato de os analfabetos funcionais, por serem, também, usuários frequentes dos meios de comunicação online, entram em contato com diversas informações sem discernirem os conteúdos. Outrossim, com a dificuldade de entendimento, não elaboram opiniões autenticas sobre assuntos variados, logo permanecem mais vulneráveis às notícias e às imagens usadas em contextos inadequados. Assim, como a maioria dos indivíduos não desenvolve a cidadania crítica, fica facilmente manipulada por acreditar apenas nas “sombras projetadas” imitadas da realidade dos fatos.

Logo, enquanto o ideal de Durkheim não for posto em prática, enquanto o ensino público não receber os investimentos necessários, enquanto a interpretação crítica das informações do contexto digital não estiver presente no meio, o analfabetismo funcional no Brasil continuará como um desafio a ser suplantado. Desse modo, o Estado deve garantir a todos o pleno exercício dos direitos presentes na Constituição, por meio da democratização do acesso a um ensino público de qualidade, capaz de formar indivíduos com letramento em mídias digitais, desde a educação básica, em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. Afinal, segundo Kant “o homem é aquilo que a educação faz dele”.