Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 15/01/2021

“Um povo que lê nunca será um povo escravo”. Ao interpretar a célebre frase do escritor português Antônio Lobo Antunes, reverbera-se a importância da leitura para a construção social do indivíduo. Entretanto, no panorama hodierno, os obstáculos relacionados ao processo de alfabetização, no Brasil, são criadores de “algemas” que impedem a libertação de grande parcela da sociedade. Assim, é relevante apontar que as falhas no sistema educacional e a desigualdade social no país contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Em uma primeira análise, é lícito postular que o modelo educacional vigente exerce irrefutável influência no cenário explicitado. Diante disso, de acordo com o educador e pedagogo Paulo Freire, intitulado como patrono da educação, à educação funciona como uma ferramenta de transformação social e como forma de reconhecer e reivindicar seus direitos, no entanto, a educação no país se mostra falha, visto que, são 11,3 milhões de analfabetos de acordo com dados do IBGE. Assim, não há como reivindicar melhorias sociais propostas por Freire, quando não se sabe sequer escrever o próprio nome.

Ademais, a desigualdade social atua como uma barreira que inviabiliza o acesso à alfabetização. Isso porque muitos jovens motivados pela carência se veem na necessidade de abandonar a escola para ajudar na renda familiar, fato que os distanciam de uma formação educacional de qualidade. Além disso, instrumentos que auxiliam em um bom processo de alfabetização, como livros didáticos, muitas vezes se tornam inacessíveis para grupos menos favorecidos economicamente. Desse modo, é evidente que enquanto a desigualdade for regra, a alfabetização da sociedade nunca será exceção.

Depreende-se, portanto, a necessidade de dar maior atenção para educação na sociedade, afim de mitigar as falhas no sistema educacional e consequentemente diminuir a desigualdade social. Para isso, é mister que o Poder Legislativo, junto ao Ministério da Educação promova projetos de leis que visem a educação como prioridade no país, de modo a facilitar a entrada no mercado de trabalho logo após a formação do indivíduo. Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), deve cobrar do Conselho Tutelar o acompanhamento da frequência escolar dos alunos para que não haja evasão escolar. Somente assim, a educação funcionará como ferramenta de transformação social proposta por Paulo Freire.