Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Em 1948, a ONU instituiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual garante, na teoria, uma série de prerrogativas a todos os cidadãos, em especial: garantia a educação. Todavia, esse conjunto de direitos é inviabilizado, haja vista que substancial parcela dos brasileiros tem a sua dignidade fragilizada pelo analfabetismo funcional. Dessa forma, sob pena de desequilíbrio no corpo social, hão de ser combatidos tanto a falha no sistema educacional, quanto a omissão midiática.

Diante desse cenário, cabe pontuar que a falha no sistema educacional potencializa a problemática. A esse respeito, o artigo 205 da constituição federal garante a educação como direito de todos e dever do estado e da família, e como algo que deve ser promovido e incentivado com a colaboração da sociedade. Ocorre que no cenário atual, esse acordo é corrompido, já que nem sempre o estado cumpre com sua parte no contrato social. Por conseguinte, a substancial parcela da sociedade de que se encontra acometida pelo analfabetismo funcional é deixada de forma negligenciada pela falta de propostas governamentais para a resolução dessa problemática. Em soma, é contraditório que, mesmo sendo nação Pós-moderna, o analfabetismo funcional seja realidade nacional.

Somado a essa discussão, é essencial compreender que a omissão midiática favorece esse revés. Acerca disso, a filósofa Simone de Beauvoir explica que as sociedades modernas promovem a invisibilidade social de determinados grupos da sociedade. Nesse sentido, a omissão midiática fragiliza esse cenário porque sua falta de divulgação acarreta em uma desinformação por parte da população acerca esse tema. Por consequência, essa grande parcela de cidadãos brasileiros não têm conhecimento do tema e da gravidade desse problema. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), 3 em cada 10 brasileiros têm esse problema. Destarte, enquanto a omissão midiática for a regra, o problema permanecerá.

Infere-se, pois, que os responsáveis pelo analfabetismo funcional necessitam ser mitigados. Logo, cabe ao MEC promover uma reforma educacional, por meio do aumento de carga horária de aulas de literatura e interpretação de texto, além de trocas de paradidáticos entre alunos, a fim de tentar combater o analfabetismo funcional de modo a diminuir a ocorrência desse problema. Ademais, é dever da mídia atribuir mais visibilidade ao analfabetismo funcional por meio de matérias divulgadas em jornais acerca desse tema -, já que essa tem grande poder de influência sobre a sociedade-, com o fito de amenizar e diminuir o analfabetismo funcional, de modo que esse canal contribua de forma benéfica no que tange à problemática. Como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.