Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 02/04/2021
As políticas educacionais adotadas por Getúlio Vargas, embora foram de grande importância para o desenvolvimento da educação, ainda existem inúmeros obstáculos para o acesso de muitos brasileiros à uma educação de qualidade. Referente a isso, o analfabetismo funcional é uma problemática que faz parte da realidade de diversos brasileiros e dificulta o desenvolvimento de um pensamento crítico. Em relação a isso, essa problemática é oriunda de uma negligência do Estado em relação a educação e tem como uma de suas consequências a fácil propagação de notícias falsas.
A princípio, a falta de investimentos em educação impulsiona o analfabetismo funcional. Relacionado a isso, conceito de “Cidadãos de Papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, sintetiza que muitos direitos são previstos apenas na lei, mas não exercidos na prática, o que faz com que o indivíduo seja um cidadão apenas no “papel”. Esse conceito é visível no âmbito do analfabetismo funcional, visto que, apesar de a Constituição Federal de 1988 garantir o bem-estar social dos indivíduos, a incapacidade de interpretar textos restringe e desqualifica a vida de muitos brasileiros. A exemplo, o Brasil possui 38 milhões de analfabetos funcionais, segundo o Instituto de Alfabetismo Funcional (Inaf), o que evidencia a negligência no Estado na garantia do bem-estar social do brasileiro.
Ademais, é preciso destacar que o alto índice de analfabetismo funcional contribui para a disseminação de notícias falsas. Relativo a isso, o educador Paulo Freire expressa que a educação e leitura são fundamentais para o desenvolvimento da criticidade, consciência social e compreensão do mundo. A partir disso, percebe-se que o analfabetismo funcional, oriundo de uma falha na educação, ocasiona não somente uma dificuldade de compreensão textual, mas, também, uma incapacidade de compreensão do mundo e de criticidade, principais motivos para a disseminação de notícias falsas. Evidenciado o fato, o professor Ivan Paganotti, mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela USP, sintetiza que a dificuldade de compreensão e interpretação textual vigora entre os principais fatores para o compartilhamento de “Fake News”. Assim, fica nítido que o alto índice de analfabetismo funcional está intrinsicamente relacionado com o amplo compartilhamento de notícias falsas.
Portanto, fica evidente que a negligência estatal é o principal fator para a manutenção do índice de analfabetos funcionais, que corroboram com o dissenimento de fake news. Diante disso, é preciso que o MEC, em conjunto com as Secretarias Municipais de Educação, promova, em escolas e com profissionais qualificados, projetos eficazes de leitura e criticidade textual, a fim de mitigar o analfabetismo funcional e desenvolver a compreensão de mundo no aluno. Dessa forma, será possível mitigar a ampla disseminação de “Fake News” e impulsionar as políticas educacionais iniciadas por Vargas.
A exemplo, essa questão é retratada na obra “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, no qual Macabéa, analfabeta funcional, submete-se a um trabalho pouco valorizado e não possui uma percepção crítica da realidade, pois não consegue interpretar as notícias veiculadas nos jornais.