Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 03/05/2021

Quando Paulo Freire lançou seu projeto de educação libertadora, no interior do nordeste dos anos 1970, tinha o sonho de erradicar o analfabetismo no Brasil. Conquanto, a despeito da evolução nos índices da educação no país, é exorbitante a quantidade de analfabetos funcionais, o que constitui um gravíssimo problema, que se pauta na incompetência do governo e na exploração dos sujeitos pelas estruturas de poder. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem a esse quadro.

Em primeiro lugar, vale salientar que o analfabetismo funcional decorre de uma escola obsoleta, conteudista e não adequada às novas tendências, fruto da inaptidão da gestão do Estado na educação. Ademais, problemas como a evasão escolar e o déficit na formação de professores, refletem a falência que marca o ensino público no Brasil, que segundo Darcy Ribeiro, é um projeto. Logo, ao deixar de cumprir seu papel socializador de capacitar o sujeito a ler e entender o seu próprio mundo, a escola determina marginalização, dificuldades de inserção no mercado e, sobretudo, reproduz as mesmas desigualdades existentes em sociedade. É inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Por outro lado, percebe-se que a conjuntura de analfabetização funcional contribui para a exploração do indivíduo também de forma política e econômica, pelas estruturas de poder. Tal fato, baseia-se no que Marx denominou de “alienação”, estado fundamental em um cenário de manobra das massas. Outrossim, a alienação e a disfuncionalidade do país são evidenciados, por exemplo, a partir dos índices pífios alcançados no Programa de Avaliação de Educação Internacional (PISA), fato que se reflete, a posteriori, nos percentuais de produtividade e qualificação da sociedade e da economia. Dessa maneira, tem-se um problema de cunho grave, sistematizado e estrutural que concorre diretamente para um país injusto e desigual. É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para resolução dessa problemática.

Assim, o Ministério da Educação juntamente com as escolas – principais atores desse processo – devem encabeçar o “Programa de Qualificação da Alfabetização” (Pró-ALFA), que vise o combate ao analfabetismo funcional. Essa iniciativa aconteceria por meio de cursos nas escolas municipais, que utilizassem novas tecnologias nas mais diversas áreas, vinculados a bonificações financeiras e profissionais, que fomentariam a alfabetização plena de crianças, jovens e adultos. A fim de promover, não somente, uma educação transformadora, sonho de Paulo Freire, mas uma nação de sujeitos conscientes de si e do mundo.