Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 13/05/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein elaborou a tese “Cidadão de Papel”, no qual o autor define o termo como o indivíduo que, apesar de possuir direitos na legislação, não os vivencia devido a subtração destes pela esfera governamental. Nesse sentido, essa definição pode ser empregada em diversos contextos brasileiros, como a perpetuação do analfabetismo que impossibilita que uma grande parcela populacional compreenda informações eficientemente, embora o direito à educação seja “assegurado” no artigo VI da Constituição Federal de 1988. Diante disso, é imprescindível enunciar a negligência familiar e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.

De início, cabe destacar que grande parte dos analfabetos são frutos de uma escolarização primária negligenciada. Sob tal perspectiva, o pensador Immanuel Kant cunhou o termo “Menoridade” para expressar a passividade dos indivíduos na busca pelo conhecimento - os quais necessitam da tutela de terceiros para compreender a vida e a sociedade. Nesse contexto, a pouca participação familiar na educação das crianças propicia o desinteresse e a diminuição na taxa de aprendizagem. Por consequência, lastimavelmente, esses cidadãos em formação não compreendem a relação intrínseca entre alfabetização e qualidade de vida. Destarte, discorrer criticamente essa problemática é o primeiro passo para um país equânime.

Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia legislativa corrobora a problemática. A esse respeito, o filósofo Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta com o ideal aristotélico, posto que em todas as regiões do território nacional existem escolas com infraestruturas precárias e professores com metodologias antiquadas. Com isso, o ambiente escolar adquire caráter hostil e incompatível com a alfabetização dos alunos, perpetuando a precariedade educacional na nação. Assim, evidencia-se a precisão de políticas públicas que promovam o ensino robusto aos cidadãos.

Infere-se, portanto, que o imbróglio abordado necessita ser solucionado. Logo, a mídia, por intermédio das grandes emissoras televisivas, irá discutir o analfabetismo no Brasil com representantes da Procuradoria-Geral da União, com objetivo de mostrar as reais consequências do problema e apresentar uma visão crítica a respeito do impasse. Essa medida ocorerrá pela elaboração de um projeto estatal em parcerias com as emissoras de televisão. Em adição, o Congresso Nacional deve publicar artigos jurídicos de investimento em instituições de ensino carentes e programas de reciclagem para professores defasados. Feito esses pontos, com a independência intelectual proposta por Kant e com a justiça de Aristóteles, o Brasil deixará de ser uma comunidade de papel.