Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 22/05/2021

Em 1988, a Constituição Cidadã instituiu, por lei, o acesso à educação a toda a sociedade brasileira. Percebe-se, portanto, que a universalização educacional é muito recente e problemas como o analfabetismo funcional têm ganhado espaço no cenário brasileiro. Assim, é essencial analisar as motivações para a iliteracia funcional, como o modelo de ensino atual, e buscar alternativas para reduzi-la na sociedade.

Diante do exposto, é válido mencionar que o analfabetismo funcional - caracterizado por indivíduos com incapacidade de compreender textos simples - afeta cerca de 30% da população, segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf). Nesse contexto, é notável a insuficiência do sistema educacional brasileiro atual, o qual além de métodos de ensino arcaicos, possui cada vez menos investimentos governamentais, o que prejudica a infraestrutura escolar, a disponibilidade de materiais e, ainda, a constante profissionalização dos pedagogos. Isso posto, a decadência do modelo educacional brasileiro favorece o desinteresse dos alunos que, ou abandonam o ambiente escolar precocemente ou, mesmo frequentando-o, não recebem a atenção necessária para a aprendizagem funcional e, assim, sofrem danos prejudiciais para enfrentar  situações simples no convívio social.

Além do mais, segundo o filósofo brasileiro Mário Cortella o analfabetismo é um crime social e, como qualquer crime, as consequências afetam todo a comunidade. Desse modo, a alta presença do analfabetismo funcional no contexto atual - determinado pela tecnologia e pelos meios de comunicação - contribui para a propagação de notíciais falsas, posto que os sujeitos iletrados ativamente, ficam mais suscetíveis à desinformação. Somado a isso, percebe-se, ainda, a crescente presença do preconceito com analfabetos, tanto nos meios digitais quanto na vida em sociedade. Nesse sentido, é essencial buscar maneiras de minimizar o número de analfabetos funcionais no Brasil e, ainda, contribuir para cessar o preconceito social existente.

Portanto, diante desse cenário do analfabetismo funcional no país, faz-se necessário que o Ministério da Educação, por meio de maiores volumes de capitais direcionados à educação pública, inove os métodos de ensino e invista na capacitação dos professores, a fim de efetivar a aprendizagem e garantir sua aplicabilidade funcional pelos indivíduos na sociedade. Ademais, o governo deve, por intermédio de anúncios e campanhas publicitárias, informar sobre o analfabetismo funcional, para que, dessa forma, seja possível conscientizar a população a não agir de forma preconceituosa com pessoas analfabetas, já que sua condição se dá, em geral, por falhas no processo de aprendizagem. Dessa maneira, será possivel minimizar o analfabetismo funcional no Brasil.