Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 21/05/2021
“A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”. A afirmativa atribuída a Sêneca, ilustre filósofo romano, retrata a importância do processo educativo para o desenvolvimento cidadão. Entretanto, no Brasil, tal fato não tem sido devidamente efetivado, visto os elevados índices de analfabetismo funcional: termo que indica a incapacidade de compreender textos simples, não apenas decodificando-os. Esse cenário se mostra ainda mais preocupante quando observado entre crianças e adolescentes. Tal problema é fruto da enorme desigualdade social no país, além da ineficácia das políticas públicas vigentes.
Primeiramente, é válido ressaltar que o desequilíbrio social é um fator contribuinte para a evasão escolar ou a precariedade de aprendizado nas escolas. Prova disso é o estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que aponta que no Brasil quase 4 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos estão fora da escola, além disso, cerca de 3,5 milhões de pequenos cidadãos pobres e negros estão acima da idade recomendada para suas séries no ensino fundamental. Diante disso, é evidente que a alarmante desigualdade socioeconômica no país têm privado inúmeras pessoas em estado de hipossuficiência de seu direito à educação apropriada.
Outrossim, destaca-se a insuficiência das atuais políticas públicas e programas sociais para a resolução do analfabetismo funcional, visto sua gravidade e proporção na sociedade. Sobre isso, Aristóteles, grande filósofo grego, afirmava que: “A política deve ser articulada pelos homens como forma de alcançar o equilíbrio social”. Destarte, é perceptível e inegável que os governantes brasileiros não têm cumprido seu papel na formulação e execução de leis que visem a resolutividade do tema em questão. Tal conclusão é amparada, ainda, pelo fato de que a origem do problema é justamente, como já discutido, a desigualdade, que deveria ser eliminada.
Infere-se, portanto, que o analfabetismo funcional no Brasil é uma questão que deve ser solucionada. Logo, cabe ao Ministério da Educação, junto ao Ministério do Desenvolvimento Social, desenvolver ações que visem a resolução do problema. Isso poderia ser feito por meio de campanhas envolvendo a visitação das comunidades carentes, por profissionais habilitados, para realizar palestras e oficinas e estimular o ingresso e permanência na escola, além da intensificação de programas como o Bolsa Família, que diminui a desiguildade e combate a evasão escolar, mas não abrange toda a população necessária. Tal operação deve ter por finalidade incentivar pais e responsáveis a matricularem seus filhos e encorajá-los a concluir seus estudos. Dessa forma, será possível garantir que, assim como dito por Sêneca, a educação esteja presente em toda a vida dos brasileiros.