Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 26/05/2021
A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal ausente de conflitos sociais a partir de uma comparação com a sua realidade precária inglesa do século XVIII. Analogamente, o cenário brasileiro hodierno é semelhante ao precário de More, pois o analfabetismo funcional ainda é latente, visto que os novos modos de leitura e a arcaicidade escolar são fatores potencializadores. Torna-se urgente, portanto, a criação de medidas as quais visem à mitigação desse fatores.
É de crucial importância, de início, analisar a teoria da filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, a qual diz respeito à naturalização de problemáticas e sua consequente banalização. Desse modo, o contexto da naturalização da priorização das novas leituras da internet, as quais boa parte são superficiais e sem teor crítico, em relação aos livros tradicionais relaciona-se com a ideia de Hannah. Isso é grave justamente porque ocasiona a banalização de indivíduos que não desenvolvem uma postura ativa frente à interpretação de texto, ou seja, analfabetos funcionais. Nesse sentido, essa realidade os tornam impossibilitados de, de maneira autônoma, usufruírem de uma característica ímpar do mundo atual: a rápida circulação de informações em formato de texto. Assim, enquanto a habituação atual for a regra, a redução do analfabetismo funcional será a exceção.
Outrossim, convém ressaltar o teórico papel das escolas de formar valores para a inserção dos jovens na sociedade. Dessa forma, o pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, entendia que as metodologias escolares atuais são arcaicas, o que torna os indivíduos despreparados para o mundo hodierno. Ocorre que essa arcaicidade é pelo fato da predominância de métodos voltados ao ingresso nas faculdades em detrimento dos métodos voltados à formação de valores, como a interpretação básica de texto. Corroborando essa visão, os nítidos casos de conflitos gerados cotidianamente, sobretudo nas redes sociais, devido à falha interpretativa textual, a qual pode gerar até linchamento virtual, tem como causa a arcaicidade escolar. Nesse ínterim, se as metodologias precárias persistirem, o analfabetismo funcional continuará sendo uma realidade latente a muitos brasileiros.
Urge, por conseguinte, a atuação das escolas para promoverem projetos socioeducativos, por intermédio de leituras semanais de textos com teor crítico em horários de aula. Tal ação teria, ao fim de cada leitura, um questionário acerca do texto lido, com a finalidade de que haja uma leitura crítica e, destarte, estimular a interpretação textual nos jovens, o que reduziria o analfabetismo funcional.