Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 31/05/2021
Estima-se que, no mundo, haja atualmente mais de 750 milhões de jovens e adultos que não sabem ler e escrever. Especificamente, no Brasil, o número de analfabetos é alarmante e revela o agravamento de um cenário de preconceito. Isso se evidencia não só pelo descumprimento da responsabilidade constitucional com a educação como também pela direta relação com desigualdades sociais históricas.
Diante desse cenário, é relevante destacar a ineficiência do Estado como fator fundamental para o agravamento dos índices de letramento e alfabetização. Atualmente, o panorama de corte de verbas, o baixo investimento em pesquisa e a ausência de políticas educacionais mais concretas permite que o Brasil apresente uma população analfabeta superior a 10 milhões de pessoas, o que afronta diretamente a previsão, presente na Constituição, de acesso à educação de qualidade a todos os cidadãos. É, pois, inaceitável que, apesar de membro da ONU, o Brasil descumpra tão profundamente suas metas de desenvolvimento humano e educacional para 2030.
Além disso, o desrespeito às minorias compõe a atual situação de déficit educacional brasileiro. De acordo com a pesquisa publicada pelo IBGE, mulheres, idosos, nordestinos, negros e pardos representam maioria nos índices de analfabetismo, fator que corrobora preconceitos históricos em nossa sociedade. Lê-se, portanto, como nociva a percepção de que um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos não seja capaz de garantir a democratização do ensino em todos os seus grupos sociais.
Portanto, o Ministério da Educação deve criar campanhas de alfabetização com foco específico, sobretudo, nas minorias mais atingidas, por meio de parcerias públicasoprivadas, com materiais, profissionais e métodos de ensino capazes de atingir esses grupos. Espera-se, com isso, diminuir o analfabetismo no Brasil e tornar a teoria constitucional uma prática em nossos dias.