Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 13/06/2021
Em “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens, em que a população trabalha em conjunto para superar as dificuldades. Fora da ilustre produção literária, com ênfase na sociedade brasileira moderna, nota-se o oposto dos ideais de Platão, uma vez que o número alarmante de analfabetos funcionais expõe a grave situação da educação no país. Assim, faz-se vital analisar as principais causas da problemática: uma educação pública aparentemente incapaz de formar cidadãos completamente alfabetizados, bem como círculos da sociedade civil que apenas reforçam essa ausência de compreensão, pensamento crítico e analítico.
De acordo com o Artigo 1o da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os indivíduos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Apesar disso, a determinação do que consta o Artigo não é cumprida, visto que o Estado não fornece uma instrução que desenvolva a habilidade de compreensão e análise dos estudantes para além do básico e, como resultado dessa negligência, deixa para trás uma parcela da sociedade, sempre vulnerável no seu próprio cotidiano, seja na hora de identificar um ônibus ou avaliar o preço de alguns produtos . Fica claro, portanto, que as autoridades competentes devem, com urgência, cumprir suas obrigações para com o sistema público de educação.
Ademais, é crucial explorar o impacto negativo da presença de analfabetos funcionais na internet, como outro agente influenciador do revés. Conforme uma pesquisa realizada pelo Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), os analfabetos funcionais encontram nas redes sociais um ambiente que incentiva e fomenta a comunicação por meio de textos curtos, cuja a informação não é checada, imagens e vídeos possivelmente manipulados, entre outros, deixando os mais suscetíveis a acreditar e espalhar notícias falsas. Nota-se, logo, que o desprezo dos ambientes digitais para informações que demandam análise e pensamento crítico, agrava o impacto do analfabetismo funcional até mesmo no cenário político, onde o compartilhamento de informações enganosas por uma população que simplesmente não tem capacidade de questioná-las, tem sido de grande utilidade para campanhas eleitorais. Por isso, é de suma importância que medidas sejam tomadas para alteração do quadro negativo que tanto corrompe o bem-estar social.
Em síntese, a fim de atenuar o problema do analfabetismo funcional, como também suas repercussões na vida adulta, o Ministério da Educação deve, mediante verbas governamentais, criar condições necessárias para a plena alfabetização dos estudadantes, bem como mecanismos para certificar-se do sucesso dessas políticas. Dessa maneira, a sociedade brasileira poderá chegar perto das convicções platônicas e, além disso, alcançar o bem-estar social.