Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 20/06/2021

Na obra literária “1984”, de George Orwell, a população é estimulada a separar dois minutos para xingar os opositores do Partido. Esse momento recebe o nome de “dois minutos de ódio”. Fora da ficção, o comportamento das pessoas na internet é semelhante ao dos personagens hostis do livro, já que muitos indivíduos param diariamente para hostilizar outras pessoas nas redes sociais, atitude que ficou conhecida como cancelamento. Nesse contexto, fatores como as influências desse comportamento e os impactos relacionados aos direitos humanos devem ser analisados.

Sob tal ótica, é fulcral pontuar acerca do movimento “#MeToo”. Tal manifesto foi criado em 2017 para denunciar crimes de assédio e agressões sexuais cometidos por famosos de Hollywood. Nessa perspectiva, era objetivado o repúdio às personalidades acusadas, além de buscar justiça para as vítimas. Contudo, o intuito original se perdeu, pois, as pessoas começaram a usar o movimento para distribuir discursos de ódio para quem tinha opiniões diferentes, começando assim, a era do cancelamento. Logo, depreende-se que o movimento nasceu bom, mas foi subvertido, caracterizado por atitudes violentas e intolerantes.

Além disso, cabe comentar no que tange à Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Segundo esse documento, publicado pela Organização das Nações Unidas em 1948, todos os indivíduos nascem iguais em dignidade e direitos. No entanto, é válido ressaltar que a vítima do cancelamento tem a sua dignidade humana enfraquecida, já que é atacada verbalmente na internet, além dos inúmeros casos de violência física relatados, em razão do cancelamento. Assim, cita-se o exemplo da “youtuber” Vitória, participante de um reality show da emissora Globo, em 2021, que narrou ter sido agredida na rua, em circunstância de um episódio de cancelamento. Desse modo, essa cultura fragiliza não só o indivíduo, mas também um direito internacionalmente garantido.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. Urge que as mídias digitais realizem campanhas informativas sobre as consequências da cultura do cancelamento, por meio de propagandas nos principais canais de informação, como a televisão, o rádio e as redes sociais (Instagram, Facebook e You Tube). Essa iniciativa buscaria sensibilizar as pessoas sobre a questão do julgamento, tratando de questões pertinentes como respeito, altruísmo e empatia, para que haja discernimento entre o ato de opinar e xingar o outro. Por certo, os direitos assegurados pela DUDH serão cumpridos na prática e o país será composto por indivíduos que exercitam a tolerância em seu cotidiano.