Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 31/07/2021
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, a sociedade vive o máximo de sua excelência, marcada pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, no Brasil, o analfabetismo funcional quebra o paradigma de More. Nesse contexto, é reflexivo o atual quadro negativo da funcionalidade alfabética e suas possíveis alternativas. Desse modo, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar o comportamento constitucional e os desdobramentos na sociedade.
A princípio, cabe destacar que a Constituição, lei máxima da justiça, define a educação como um direito de todos, sendo considerada o preparo para o exercício da cidadania e qualificação profissional. Contudo, não é vista ação eficaz por parte do Governo em relação a tal questão. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, pois, embora aparente ser completa, na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso, é uma matéria publicada pelo Jornal Da Usp, onde informa que 29% da população brasileira tem dificuldade de ler, interpretar textos e aplicar noções básicas de matemática. Na prática, significa que um em cada quatro brasileiros apresenta problemas em habilidades educacionais básicas, asseguradas, até então, pela constituição. Assim, infere-se os atuais envestimentos e esforços públicos não têm sido eficazes.
Outrossim, delineia-se oportuno salientar que a universalização do ensino básico brasileiro só foi atingida no final da década de 90. Dessa maneira, é compreensível que a educação brasileira é algo relativamente novo, entretanto, é convidativo repensar os atuais caminhos que a formação didática tem seguido. Sob esse viés, na obra ‘‘Pedagogia da Autonomia’’, do pedagogo Paulo Freire, a escola tem um papel muito maior do que apenas depositar conhecimento na cabeça dos indivíduos, cabe a ela formar pessoas que saibam, nas palavras de Freire, ‘’ler o mundo’’. Nessa ótica, quando as escolas não cumprem tal papel, problemas são originados na sociedade, por conseguinte, um estudo da Universidade de São Paulo revela que o analfabetismo funcional é comum entre pessoas que compartilham fake news. Assim sendo, é visto que ‘’ler o mundo’’ é uma dificuldade para o brasileiro.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar o problema. Destarte, cabe ao Ministério da Educação a elaboração de uma nova política educacional. Isso pode ser feito com investimentos financeiros voltados a melhor capacitação do corpo pedagógico, melhoria infraestrutural e uma formação voltada para o desenvolvimento não apenas educacional, mas também social e político, a fim de transpassar as atuais barreiras que impedem a população de gozar da plena cidadania garantida pela Constituição. Além disso, o ensino de disciplinas como filosofia, sociologia e direitos humanos é fundamental para que os brasileiros possam, de uma vez por todas, ler o mundo de acordo Freire.