Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 19/08/2021
O Mito da Caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito às alternativas para reduzir o analfabetismo funcional. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos: a inoperância governamental e as dificuldades encontradas por motivos socioeconômicos. Em primeiro plano, é preciso atentar para a negligência governamental.
De acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, o Estado responsabiliza-se por estabelecer condições básicas ao promover o bem-estar do âmbito populacional. No entanto, isso não se aplica a realidade da nossa sociedade, visto que apesar da Constituição Brasileira garantir o acesso à educação, o ensino é falho e insuficiente, haja vista que o país tem um número muito grande de pessoas consideradas analfabetas funcionais, que caracteriza-se pela incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples apesar de passar anos de sua vida em uma escola. Logo, percebe-se que para diminuir o alto nível de indivíduos incapazes de exercer tais funções, é preciso extinguir o abandono governamental.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a desigualdade socioeconômica. Segundo Aristóteles, deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. Nesse sentido, fica evidente que uma das maneiras de reduzir os níveis de analfabetismo funcional no brasil é levar mais meios de se obter uma educação de qualidade e contínua aos grupos vulneráveis socialmente e economicamente, haja vista que muitos moradores de favelas dependem da educação pública e muita das vezes não possuem estrutura nas escolas, comparado à população com mais poder aquisitivo, e uma parcela da população pobre precisa encerrar seus estudos prematuramente para iniciar sua jornada no campo trabalhista ,negligenciando seus estudos de forma forçada, e assim tornando-se mais um no grupo de indivíduos com defasagem educacional.
Portanto, é evidente que medidas precisam ser tomadas para amenizar a problemática. Para tanto, o Governo, agente responsável pelo bem-estar social, deve injetar mais recursos financeiros para o sistema educacional, principalmente no ensino básico, que é o responsável pela alfabetização dos cidadãos, com o objetivo de oferecer um ensino eficaz e proveitoso aos seus discentes. Ademais, ONGs devem levar projetos sociais, com cursos de leitura e interpretação de textos, para os grupos em estado de vulnerabilidade social para garantir com que sejam ensinados conteúdos que garantam um bom nível de aprendizagem e retenção de conhecimento com o intuito de formar cidadãos portadores de senso crítico. Somente assim, libertaremos a sociedade para contemplar a realidade fora da caverna, como na alegoria de Platão.