Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 26/08/2021
O filme norte-americano “Mãos Talentosas”, retrata a história de Bem Carson, um menino pobre e negro que se tornou diretor do departamento de neurocirurgia em um hospital nos Estados Unidos, após ser incentivado pela mãe a cultivar o hábito da leitura durante a infância. Desse modo, o longa-metragem coloca em pauta a importância do ensino como mecanismo de edificação pessoal. Contudo, quando se é vislumbrada a atmosfera do analfabetismo no Brasil, esse quadro mostra-se alarmante, devido tanto à má qualidade da educação básica, quanto às intensas disparidades socioeconômicas no cenário nacional.
Em primeira análise, convém enfatizar o impacto do carente sistema de ensino brasileiro na permanência da problemática em território tupiniquim. O escritor Gilberto Dimenstein, na obra “O cidadão de papel”, critica a ineficiência do estado em garantir a maioria dos direitos normativos apresentados na constituição. Assim, essa face materializa-se na conjuntura do país na medida em que as atuais políticas públicas são ineficazes no combate ao analfabetismo funcional da população verde-amarela. Com isso, a falta de infraestrutura, bem como de professores capacitados, por exemplo, retarda o processo de inclusão educacional e corrobora o cruel panorama da falta de acesso às instituições escolares por parcela considerável do corpo social da nação.
Ademais, é imperativo destacar o abismo socioeconômico presente na realidade de muitos brasileiros como um dos fatores que validam a manutenção desse imbróglio. O filósofo Martin Heidegger, afirma ser impossível viver em uma sociedade sem existir o cuidado mútuo entre os seres humanos. No entanto, em oposição as ideias do alemão, a má distribuição de renda, fenômeno característico do sistema capitalista, perpetua as desigualdades no Brasil e, dessa forma, impede o uso da educação como ferramenta de cidadania, em especial pelas crianças de baixa condição financeira. Nessa perspectiva, nota-se que a grave marginalização social favorece a evasão escolar e, consequentemente, as altas taxas de analfabetismo no Brasil.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventoras para minimizar o entrave em todo território nacional. A princípio, urge que o Governo Federal, em parceria com as administrações municipais, promova, mediante a cessão de capital público aos orgãos competentes, reformas infraestruturais nas instituições de ensino, no intuito de incentivar o ingresso dos infantos às escolas. Outrossim, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio da prática de uma política de acessibilidade educacional, fomente a inclusão dos jovens em circunstância de vulnerabilidade aos locais de contato com o conhecimento, a fim de diminuir a parte iletrada da coletividade brasileira.