Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 31/08/2021

Conforme o conceito de “Educação Bancária”, consolidado por Paulo Freire, a educação brasileira se volta apenas à produção de mão de obra, negligenciando a formação crítica e moral da população. Paralelamente, a definição apresentada pode ser relacionada a realidade hodierna, na qual a alfabetização efetiva é desafiada por um sistema de educação rígido e excludente. Com efeito, a tentativa do distanciamento dessa realidade pelo coletivo reflete a necessidade da revisão de políticas públicas para assegurar o desenvolvimento cognitivo e crítico dos cidadãos.

Mormente, até o ano de 1971, os jovens não eram obrigados a frequentar as escolas, tornando o ensino um privilégio para as elites e contribuindo para a exclusão e marginalização dos não alfabetizados. Sob essa conjectura, o analfabetismo provoca intensa estagnação e afeta principalmente a parcela mais carente da população, consequências diretas da falha na garantia do cumprimento dos direitos básicos de forma ampla e democrática. Nesse viés, a ampliação das desigualdades sociais é um efeito claro de uma herança histórica relativa à inescrupulosa atuação estatal ao assistir apenas a classe economicamente dominante.

Outrossim, a persistência desse molde é extremamente prejudicial ao meio social, por corroborar a perpetuação do analfabetismo funcional, absoluto ou rudimentar, no qual o indivíduo mesmo escolarizado ainda apresenta falhas na interpretação, leitura e escrita. Consoante ao pensamento de Jean Jacques Rousseau, o sistema de ensino tradicional privilegia o saber intelectual em detrimento da formação “humana”, demonstrando, de forma análoga, a precariedade da educação nacional pela ausência de um aprendizado inclusivo e de qualidade. Desse modo, infere-se a importância da alfabetização como ferramenta essencial para formação de um senso crítico individual e desenvolvimento da qualidade de vida coletiva.

Destarte, é mister a mobilização do Estado na tomada de providências com intuito de amenizar o quadro atual. Para a resolução do analfabetismo estrutural, urge que o Ministério da Educação implemente, por meio de investimentos estatais, um projeto de incentivo alfabetização em todas as idades destinado às regiões com maiores índices de analfabetos no país, nas quais residem as comunidades mais afetadas pela negligência estatal. Ademais, o programa deve construir mais instituições de ensino e fomentar a qualificação de docentes, com objetivo de garantir a qualidade da educação e erradicar o analfabetismo em toda a parcela populacional desde a formação básica. Somente assim será possível a concretização de uma sociedade educacionalmente homogênea, rompendo com o conceito criado por Freire.