Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 06/09/2021
A premissa de Monteiro Lobato “um país se faz com homens e livros”, vem sendo discutida e cada vez mais reafirmada no Brasil, porém, na prática não é priorizada de forma adequada. Nesse sentido, verifica-se o analfabetismo funcional como um problema lamentavelmente ainda recorrente na conjuntura brasileira. Logo, é necessário analisar os motivos e os aspectos dessa problemática, bem como engendrar mecanismos para combatê-la.
Em primeiro plano, é importante destacar a omissão estatal em relação a educação. Nesse viés, nota-se insuficientes investimentos para um sistema educacional efetivo, acerca da lógica referente a uma instrução completa dos jovens para exercer a cidadania de forma digna. Sob essa ótica, boa parte das instituições de ensino, optam pela quantidade em detrimento da qualidade, formando jovens pouco familiarizados com a leitura, senso crítico, política, sociedade e tecnologia, ou seja, tudo que permeia a vida de um ser humano, dentro de uma democracia, nos tempos atuais. Contraditoriamente, de acordo com a Constituição de 1988, a educação é um direito que deve ser promovido e incentivado, visando o preparo para o exercício da cidadania e o pleno desenvolvimento do indivíduo. Dessa forma, esse lastimável cenário não pode ser mais ignorado.
Observa-se por conseguinte, a utilização da tecnologia por analfabetos funcionais. Nessa perspectiva, em um mundo globalizado, imerso na comunicação e no movimento constante de informações pelo mundo, pessoas com limitado conhecimento dessas informações, se tornam vítimas de abusos, crimes, golpes, ou viram agentes causadores de caos, no que diz respeito à propagação de boatos e inverdades. Para entender tal apontamento, é lícito referenciar o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, no qual, afirma que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam sua visão acerca do mundo. Desse modo, fica claro a inoperância das esferas do poder, haja vista a educação, como alternativa em se evitar muitas questoes sociais que prejudicam o coletivo.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação crie um projeto de alfabetização funcional, sem restrição etária, através do direcionamento de verbas para a contratação de profissionais qualificados, e de uma estrutura tecnológica adequada, para a gravação de aulas a serem disponibilizados em uma plataforma digital, ou rede social conhecida, acessadas em qualquer horario do dia, com o intuito de democratizar uma legítima alfabetização dentro da realidade brasileira de desigualdade. Ademais, o Ministério público, através da mídia, deve promover engajamentos persuasivos e ficcionais sobre a importância da educação, inclusive, incentivando a busca das pessoas pela formação básica educativa sem faixa etária, a fim de erradicar o estigma de que nunca é tarde para aprender.