Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 15/10/2021
Consoante o artigo 205 da Constituição Federal a educação é um direito de todos e dever do estado, outrossim, a capacidade de leitura e interpretação é um elemento fundamental da cidadania. Nesse sentido, a questão do analfabetismo funcional no Brasil pode ser entendida a partir de dois prismas complementares: políticas públicas adotadas por governantes que acentuaram as desigualdades no acesso à educação, bem como métodos alternativos que contribuam para o entendimento do ensino como forma de emancipação do cidadão.
Em primeiro plano, segundo o Indicador do Alfabetismo Funcional (INAF) cerca de 1 a cada 3 pessoas no Brasil conseguem ler mas não interpretar o que foi lido, são analfabetos funcionais, tal estatística demonstra o problema endêmico que é a educação nacional. Dessa maneira, a falta de investimentos e modelos engessados de ensino foram uma constante na realidade brasileira, haja vista as políticas adotadas pelo regime militar que acentuaram as desigualdades já existentes, como mostra o estudo da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), “O legado educacional do regime militar”, o investimento em educação diminuiu sucessivamente ao longo dos anos e o contigente de alunos matriculados aumentou, o que contribuiu para o sucateamento da qualidade do ensino. Sendo assim, a negligência com o ensino que é ofertado para a população deixa marcas que atravessam gerações e causam um impacto direto no nível de esclarecimento da população.
Além disso, é notório que a forma como o ensino é lecionado nas escolas é decisivo para o modo como os alunos irão absorver e assimilar os conteúdos. Partindo dessa assertiva, Paulo Freire no livro “Pedagogia da Autonomia”, mostra como ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção ou a sua construção. Portanto, abrindo uma conversa com as demandas reais dos alunos das mais diferentes realidades sociais no Brasil e mostrando como a educação pode ser transformadora nos aspectos culturais e profissionais de cada indivíduo.
Destarte, o governo poderia ampliar o papel do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação), por meio de um plano administrativo que distribua os recursos de maneira a fomentar novos métodos de ensino e alternativas a modelos tradicionais nas escolas, uma vez que seria mais atrativo aos estudantes, a fim de que possa-se diminuir os índices de analfabetismo funcional. Desse modo, garantindo o efetivo direito constitucional de cada cidadão de ter acesso à educação, e principalmente a uma educação que levará esses cidadãos ao pensamento crítico e a uma transformação social, contribuindo para o progresso do Brasil como nação.