Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 31/10/2021
Em sua canção “Estudo Errado”, o rapper brasileiro Gabriel, o Pensador, critica um ensino obsoleto e ineficaz, em que o aluno frequenta a escola, mas não adquire nenhum aprendizado. Assim como na música, o Brasil sofre com a baixa qualificação da educação e com o subsequente analfabetismo funcional. Dessa forma, as irregularidades nos métodos de ensino e o baixo incentivo à leitura atuam como contribuintes dessa conjuntura negativa.
De início, vale pontuar as falhas no sistema pedagógico brasileiro. Nesse sentido, o filme “Sociedade dos Poetas Mortos” retrata um modelo ideal de profissional de ensino, o qual estimula o pensamento crítico e autônomo dos alunos. Fora da obra, essas perspectiva encontra entraves no Brasil, uma vez que a dificuldade de muitos estudantes em compreender e interpretar textos é proveniente de um método pedagógico baseado na alfabetização mecânica, voltada apenas para aplicações de conteúdos técnicos. Desse modo, nota-se que o desenvolvimento interpretativo dos alunos não é estimulado como deveria, impedindo o discente de explorar suas habilidades intelectuais e, consequentemente, acabar concluindo o ano letivo sem o devido aprendizado. Assim, enquanto não houver reformulação dos métodos de educação, o analfabetismo funcional será uma realidade cada vez mais presente.
Ademais, é importante destacar que o baixo incentivo à leitura colabora com o impasse. De acordo com dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), cerca de 29% dos cidadãos brasileiros não possuem o hábito de ler. Sob tal ótica, observa-se que a ausência da prática de leitura provém da ineficácia governamental, uma vez que o Estado além de não desenvolver ações de estimulo aos livros, não elabora ações para a construção de bibliotecas nas escolas públicas do país. Dessa maneira, sem o amplo contato com os livros, os estudantes acabam não estimulando a capacidade interpretativa e cognitiva, o que acarreta dificuldades em compreender enunciados e resolver questões complexas. Nesse viés, evidencia-se a precisão de políticas públicas eficazes na promoção de incentivo à leitura.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar tal problemática. Posto isso, o Ministério da Educação -órgão responsável por questões educacionais- deve, por meio de verbas governamentais, fornecer diversos cursos gratuitos aos docentes, com a intenção de aperfeiçoar os métodos pedagógicos e promover aulas mais dinâmicas, com a participação mais ativa dos alunos nas aulas, buscando, com essas medidas, garantir a compreensão dos discentes acerca dos assuntos trabalhados em sala. Além disso, cabe ao governo elaborar campanhas literárias, distribuindo livros nas escolas públicas de todas as regiões, a fim de incentivar a leitura de forma ampla. Com esses feitos, será possível combater o problema e o “Estudo Errado” da música não irá proliferar na nação.