Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 18/04/2022

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico, prevê em seu artigo 6º, o direito à alfabetização de qualidade como inerente a todo cidadão brasileiro. Todavia, tal prerrogativa tem sido utópica na sociedade brasileira, dado que devido à negligência estatal, bem como a lenta mudança de mentalidade social, perdura ainda, como um desafio para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil.

Diante desse cenário, é fulcral salientar o Pacto Social, defendido pelo contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos. Entretanto, a perspectiva defendida pelo intelectual não se concretiza, na atual realidade, em razão da indiligência do Poder Executivo em viabilizar um acompanhamento educacional aos adolescentes e adultos. Posto isso, percebe-se que essa negligência resulta na negativa do exercício de sua função social de regulador e incentivador do desenvolvimento da Nação.

Além disso, importa ressaltar o sentimento de indiferença presente nas sociedades modernas, visto que parcela da população ao perceber um indivíduo incapaz de compreender textos simples zombam dele, em vez de ajudar. Nesse sentido, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra ´´O Homem Cordial``, expõe o egoísmo presente na sociedade brasileira -que tende a priorizar ideias particulares em detrimento do bem-estar coletivo. Logo, emerge a urgente mudança comportamental do corpo social, baseada no despertamento para o combate ao ignorante técnico funcional.

Verifica-se, portanto, que medidas eficazes são necessárias para amenizar os desafios relacionados ao analfabetismo funcional. Dessa forma, cabe ao Governo Federal -responsável pelo bem-estar social- promover acesso da população à informação relativa sobre pessoas que não desenvolvem habilidade de interpretação de textos, por meio da implantação de palestras e debates com profissionais da área, a fim de elucidá-los sobre como ajudar esses sujeitos. Ademais, o Ministério da Educação deve gerar campanhas de ampla divulgação em meios midiáticos que consigam incentivar a conscientização. Feito isso, será possível concretizar o direito assegurado na Constituição Federal.