Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 03/11/2021

No livro “O Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein evidencia que os cidadãos possuem seus direitos garantidos apenas na teoria. Nesse sentido, é possível notar que apesar de a educação ser assegurada pela Constituição, como um direito fundamental, na prática isso não ocorre. Assim, é lícito afirmar que a evasão escolar e a ausência de incentivo familiar à educação contribuem para a perpetuação do analfabetismo funcional no Brasil.

Em primeiro lugar, é fundamental analisar que grande parcela dos analfabetos completos ou funcionais vêm de famílias com baixa condição financeira. Isto ocorre, muitas vezes, devido ao alto índice de evasão escolar dessa camada populacional pois, a partir de certa idade, as crianças começam a trabalhar para ajudar a família e, consequentemente, abandonam a escola. É valido destacar que, a primeira Constituição do país, outorgada por Dom Pedro I durante o Período Imperial, determinava que a educação primária seria gratuita para toda a população brasileira. Apesar de ser um dos caminhos que ajudaram a reduzir a taxa de analfabetismo funcional no Brasil, não foi o suficiente.

Concomitantemente, outro fator agravante desta problemática, é a ausência de incentivo familiar à educação, pois as crianças tendem a reproduzir os exemplos que recebem e, por isso, o estímulo deve ser iniciado em casa.  Além disso, de acordo com o filõsofo Platão, “O conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo”. Dessa forma, é preciso se atentar à socialização primária, realizada pela família e escola, pois é a responsável por formar a base do indivíduo, já que é o primeiro contato da criança com o mundo exterior.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação tome providências para que o índice de analfabetos funcionais seja drasticamente reduzido. Assim, as escolas devem estimular a alfabetização desde a primeira infância, por meio de cantinhos de leitura e materiais didáticos de qualidade, visando o estudo ativo e prático. Somado a isto, as famílias devem influenciar as crianças a desenvolverem o hábito da leitura - que estimula o desenvolvimento intelectual - de forma agradável, para que se torne uma forma de lazer, e não por mera obrigação. Para que, desse modo, o conhecimento seja colocado em prática de forma natural e permaneça na alma por muito tempo, reduzindo a taxa de analfabetismo funcional no Brasil.