Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 11/11/2021

Em sua música “Estudo Errado”, Gabriel, O Pensador critica um ensino ineficaz em que o aluno frequenta a escola, mas não adquire aprendizado. Assim como na canção, o Brasil sofre com a baixa qualidade do sistema educacional e o subsequente analfabetismo funcional. A partir de uma análise desse impasse, nota-se que ele está vinculado não só à ausência de motivação dos estudantes, mas também à precarização do ensino público.

Destaca-se, primeiramente, a importância do incentivo ao aluno por parte dos educadores para uma boa aprendizagem. O antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro criou a expressão “pacto da mediocridade”, designando a situação em que o professor finge que ensina e os alunos fingem que aprendem. Nessa lógica, a desmotivação dos professores, seja por má remuneração ou pouco acesso à ferramentas de ensino, pode gerar um desinteresse pelos estudos entre os jovens, inviabilizando seu progresso educacional. Isso porque o aluno frequenta a escola, porém não é bem estimulado a desenvolver pensamento crítico e habilidades de leitura e escrita . Com isso, muitos indivíduos atingem séries escolares avançadas sem a capacidade de compreender textos, de interpretar gráficos simples e realizar operações matemáticas mais elaboradas.

Ademais, embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à educação como direito de todos os cidadãos, essa garantia não ocorre na prática, visto que o capital brasileiro na área do ensino público sempre foi banalizado, impossibilitando o alcance da qualidade igualitária educacional. Dessa forma, os mais favorecidos recorrem ao ensino privado, enquanto os indivíduos de baixa renda sofrem com o sucateamento da educação pública, favorecendo a manutenção do analfabetismo funcional, uma vez que muitas instituições não contam com condições suficientes para trabalhar as competências do letramento com os alunos. Logo, tal fato propicia a crescente presença de indivíduos com prejuízos não só educacionais, mas também profissionais, já que o iletrado tem sua inserção no mercado de trabalho dificultada.

Diante desse panorama, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Cultura a promoção do incentivo à leitura por meio de campanhas, através das mídias e apoiadas pelos professores das instituições de ensino, para que os alunos adquiram o hábito de ler e superem suas dificuldades com a escrita. Além disso, é conveniente ao Poder Executivo promover investimentos na educação por meio de políticas públicas, a fim de garantir um ensino de qualidade a todos os cidadãos. Assim, será possível reverter a situação de “Estudo Errado” a qual se referiu Gabriel, O Pensador.