Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 11/11/2021

O livro A hora da Estrela, de Clarice Lispector, retrata a vida da jovem Macabéa que, apesar de ser datilógrafa, apresenta dificuldades na interpretação e elaboração de textos. De maneira análoga à história fictícia, na contemporaneidade há um alto número e analfabetos funcionais. Isso se deve, sobretudo à inexistência do hábito de leitura e a má qualidade do ensino básico. Desse modo, é urgente a reversibilidade do cenário em questão.

Convém destacar a inexistência do hábito de leitura pelo brasileiro como um dos desafios que inibem o combate ao analfabetismo funcional no país. Segundo a pesquisa “Retratos da leitura no Brasil” realizada em 2020 pelo instituto Pró-Livro, 48% dos entrevistados não tem hábitos de leitura, ou seja, menos da metade da população brasileira. Em suma, a ler é de extrema importância para melhorar a leitura e a compreensão de textos, porém muitos brasileiros ainda não fizeram desse um hábito, dificultando assim a evolução no seu processo de alfabetização. Dessa forma, estimular esse hábito tão importante se faz necessário.

Ademais, como bem ilustrou o economista Arthur Lewis, “a educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido”. Em contraste a esse pensamento, no Brasil a má qualidade do ensino básico, reflexo do baixo investimento público com professores mal capacitados para atender as necessidades mínimas de aprendizado do aluno, impossibilita as pessoas de aprenderem e aperfeiçoarem as técnicas da escrita e da leitura. Logo, evidencia-se a importância do investimento na educação básica como forma de combater a problemática.

Torna-se imprescindível, portanto, a tomada de atitudes que mitiguem os efeitos do analfabetismo funcional. Para isso, é papel do governo estadual estimular a doação de livros por editoras, por intermédio de incentivo fiscal, com finalidade de melhorar a variedade de títulos nas bibliotecas públicas, despertando assim o interesse das pessoas pela leitura. Além disso, cabe ao Ministério da Educação qualificar os professores, mediante investimento em cursos disponibilizados de forma gratuita aos docentes do ensino fundamental. Dessa forma espera-se que a problemática sofrida pela jovem Macabéa fique apenas na ficção.