Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 14/11/2021
O analfabetismo funcional se caracteriza como a incapacidade de se compreender textos simples e realizar algumas operações matemáticas além da soma e da subtração. Assim, de acordo com dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), esse problema atingiu, em 2019, cerca de 35 milhões de brasileiros. Desse modo, evidencia-se que tal cenário se expressa amplamente presente em solo nacional, e, decerto, deve ser combatido. Portanto, faz-se de urgente necessidade analisar criticamente os principais fatores causais relativos à problemática: o modo de educação retrógrado e a ineficiência na democratização efetiva do ensino.
Convém salientar, primariamente, que o problema advém, em muito, da perpetuação de um modelo de ensino tipicamente arcaico. Nessa perspectiva, analisando-se a matriz curricular do ensino médio brasileiro, percebe-se a supervalorização de conteudos irrelevantes para com a evolução sociocognitiva do cidadão. Portanto, ao concluir sua longa jornada na educação básica, o indivíduo carece, por exemplo, de uma eficiente capacidade interpretativa, dominando, contraditoriamente, assuntos que não serão aplicados ao longo de sua carreira profissional-acadêmica.
Ademais, mostra-se de extrema relevância salientar o papel das disparidades sociais na infinitude desse horizonte. Assim, ao se contemplar a mercantilização da educação, amplamente presente no mundo capitalista, torna-se nítido que, enquanto uns dispoem de uma educação privada de qualidade, outros se veem obrigados a se submeter a precária rede de ensino público nacional. A título de exemplificação, de acordo com o IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica), no ano de 2016 a pontuação avaliativa em escolas particulares foi 30% maior do que a nota média das instituições de ensino público. Porquanto, sobreleva-se a incapacidade estatal em prover uma adequada democratização do conhecimento, campactuando, de tal modo, com a indefinida continuidade do analfabetismo funcional.
Frente a tal problemática, faz-se imprescindível, pois, a mobilização do Estado, que, por intermédio de investimentos socioeducativos e reformas legislativas, deve combater esse horizonte. Em paralelo, cita-se, como uma das influentes medidas resolutivas, a reformulação da matriz curricular do ensino básico, passando a valorizar capacidades humanas essenciais ao sucesso individual, como a plena compreensão de textos, em detrimento de conteúdos tipicamente irrelevantes, para que, de tal forma, o analfabetismo funcional seja amplamente reduzido no Brasil.