Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 11/07/2022

Segundo o historiador Aristídes Lobo, a população brasileira - predominantemente analfabeta - assistiu bestializada à proclamação da república em 1889, pois não entendia o contexto sociopolítico que levou a esse evento, tampouco compreendia os textos veiculados pela imprensa da época. Hodiernamente, apesar do significativo percentual de alfabetização, ainda persiste esse analfabetismo funcional, cujo impacto é a exclusão social. Isto posto, frisa-se a ineficiência das instituições escolares, a qual engendra restrição da cidadania e manipulação.

Precipuamente, há as falhas do sistema educacional. Consoante o sociólogo Pierre Bourdieu, existe um descompasso entre o currículo escolar e a cultura dos alunos mais pobres. Consequentemente, a escola deixa de desenvolver a plena capacidade interpretativa, formando analfabetos funcionais. Nessa perspectiva, o ensino falha ao privilegiar a leitura do código em detrimento da verdadeira interpretação e discussão crítica dos textos, pautada em uma abordagem a qual considera a vivência e a realidade sociocultural dos discentes.

Em segundo plano, salienta-se o consequente prejuízo à cidadania. Nesse sentido, de acordo com a cientista social Hannah Arendt, a construção da democracia só é efetivada com a difusão do espírito crítico nas camadas do povo. Todavia, com o analfabetismo funcional, restringe-se o entendimento acerca da conjuntura sociopolítica a uma minoria letrada, afastando as grandes massas do seu papel na cidadania e na democracia. Paralelo a isso, ocorre maior manipulação ideológica, pois os analfabetos funcionais tendem a corroborar discursos mais apelativos e inflamados, diante de sua limitada interpretação.

Em síntese, o analfabetismo funcional promove a exclusão social. Posto isto, cabe ao Ministério da Educação e às secretarias municipais, como órgãos competentes do Poder Executivo, desenvolver uma reforma do sistema público de educação, do ensino fundamental ao médio, com elaboração de grades curriculares voltadas para a integração da linguagem culta e o arcabouço cultural dos estudantes, fomentando a mitigação da deficiência na leitura e a plena alfabetização, mediante adaptação da LDB (Lei de Bases e Diretrizes da Educação), a fim de combater o analfabetismo funcional e evitar casos como o de 1889.