Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 22/08/2022

Consoante o filósofo prussiano Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Essa declaração revela a importância da formação acadêmica para o desenvolvimento das potencialidades humanas, processo que, no Brasil, tem sua plenitude obstaculizada pelo analfabetismo funcional, o qual requer alternativas para ser reduzido. Nesse sentido, tal problemática advém da insuficiência do sistema educacional e culmina na condição de subcidadania.

Em primeira análise, cumpre salientar que a precariedade da educação fomenta o impasse. Nesse aspecto, o déficit infraestrutural das instituições de ensino - verificado na carência de docentes qualificados, no sucateamento dos espaços e na má aplicação das ferramentas avaliativas - dificulta os avanços cognitivos dos estudantes. Sob esse viés, a obra “A menina que roubava livros”, em que a aluna Liesel, embora aos 11 anos de idade, não é capaz de ler com fluidez ou interpretar textos simples, assemelha-se ao desfavorável cenário brasileiro. Dessa forma, nota-se um prejuízo no aperfeiçoamento das aptidões linguísticas dos educandos.

Consequentemente, vale ressaltar que, por conta do iletramento, esses indivíduos têm o exercício da cidadania cerceado. Nesse contexto, a carência de domínio da língua escrita e de operações matemáticas básicas torna esse segmento populacional mais vulnerável a crimes e à violação de seus direitos fundamentais. Sob esse prisma, é pertinente mencionar o caso do influenciador digital alcunhado “Luva de Pedreiro”, o qual, por ser analfabeto funcional, foi facilmente ludibriado na assinatura de um contrato que previa o pagamento de uma multa milionária ao seu empresário. Logo, insta a mitigação de tal imbróglio.

Depreende-se, portanto, que o analfabetismo funcional resulta da precariedade do ensino e ameaça a dignidade dos sujeitos. Urge, então, que o Ministério da Educação - órgão responsável por todo o sistema educacional da nação - promova a capacitação dos educadores encarregados da alfabetização escolar, por intermédio do amplo oferecimento de cursos no território nacional, a fim de instruí-los para a execução eficiente das propostas de desenvolvimento de habilidades e competências linguísticas previstas na nova Base Nacional Comum Curricular. Dessarte, observar-se-á a atenuação dessa mazela.