Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 29/10/2022

No ano de 2022, o “digital influencer” Luva de Pedreiro se envolveu em uma batalha judicial com seu antigo empresário, alegando que assinou um contrato sem saber os seus termos devido a sua alfabetização precária. Infelizmente, casos como o de Luva de Pedreiro não são exceções no Brasil, onde o analfabetismo funcional é uma persistente mazela social. Diante desse cenário, é necessário discutir como esse problema limita o exercício da cidadania e permite que essa população seja utilizada a favor dos interesses de terceiros.

De início, a existência de parcela da sociedade analfabeta funcional renega o pilar democrático da sociedade brasileira. Conforme o educador brasileiro Paulo Freire, o propósito fundamental da educação é ser libertadora, ou seja, permitir aos indivíduos conseguirem pensar e analisar o mundo e, assim, lutarem por seus direitos básicos. Desse modo, quando o corpo social admite que haja cidadãos nessa condição impede o exercício pleno da democracia, pois esses não serão capazes de se expressarem e garantir suas demandas enquanto cidadãos.

Ademais, o analfabetismo funcional cria um contingente populacional facilmente manipulável. Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano é constantemente enganado por seu patrão devido à baixa escolaridade. Sob essa ótica, todos os brasileiros, que não são capazes de interpretar o mundo pela falta de educação, podem ser facilmente manipulados. Dessa forma, é urgente por fim a este ciclo, visto que essas artimanhas subjugam essa população que pode ser levada a ter atitudes não condizentes com sua vontade.

Depreende-se, portanto, que o analfabetismo funcional é uma grave mazela social que abala os pilares de uma sociedade democrática. À vista disso, é dever do Ministério da Educação — órgão responsável pelas diretrizes educacionais — atuar para extinguir essa triste realidade. Isso pode ser feito por meio do mapeamento das regiões com o maior grau de analfabetos funcionais e, posteriormente, abertura de centros educacionais libertadores, a fim de estimular a interpretação crítica, o posicionamento de seus interesses e a capacidade argumentativa. Assim, casos como o de Luva de Pedreiro e Fabiano não se repetirão em uma sociedade que busca pela igualdade de direitos.