Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 09/11/2022
Conhecida como “Cidadã”, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entanto, nota-se que as lacunas na formação educacional configuram-se como uma falha no princípio da isonomia, pois impedem o acesso pleno à cidadania a grande parte da população. Sendo assim, percebe-se que o analfabetismo funcional possui raízes não só nos baixos investimentos em educação de qualidade, mas também na ausência do entendimento de que a compreensão e a fácil expressão textuais são essenciais ao pleno exercício do papel de cidadão.
Em primeiro lugar, destaca-se o baixo investimento em educação de qualidade como uma das causas do problema. Sob esse viés, segundo o filósofo Friedrich Hegel, o Estado tem o dever de proteger os seus habitantes. No entanto, ao se analisar o contexto atual, vê-se uma lacuna entre a teoria e a prática nacional, uma vez que o baixo orçamento garante apenas o mínimo, com um número reduzido de professores, o que faz com que a escola ensine apenas o conteúdo básico, impedindo que os estudantes possam desenvolver um senso crítico apurado. Diante disso, é inaceitável tal conduta ainda se perpetuar no Brasil.
Sob essa perspectiva, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman: “nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem”. Nesse viés, a educação de baixa qualidade gera indivíduos que, ao não saber ler e interpretar textos, não são capazes de entender e criticar as ações do Estado e cobrar seus direitos. Logo, não ser consciente da importância da leitura e compreensão textual produz um obstáculo à funcionalidade da educação e para a efetivação da cidadania.
Portanto, é míster que o Ministério da Educação, por meio de aumento no orçamento das escolas, promova campanhas de conscientização acerca do papel da interpretação textual na vida do cidadão, por exemplo, através de palestras em centros educacionais e aumente o número de professores. Nesse sentido, o intuito de tais medidas é amenizar o analfabetismo funcional. Desse modo, os brasileiros verão o direito garantido pela Constituição, finalmente, como realidade.