Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 21/06/2023
Embora a Constituição de 1988 reconheça a todos o direito fundamental à educação, a sociedade brasileira padece perante o fenômeno do analfabetismo funcional, que consiste na dificuldade de interpretar textos e realizar operações matemáticas simples do cotidiano. É cediço que tal conceito possui estrita relação com o ensino formal, mas a inércia do setor privado com relação ao trato da educação também enseja o desencadeamento desse problema.
Diante disso, tem-se que trinta por cento dos brasileiros são considerados anal-fabetos funcionais, segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF). Essa conjectura é causada por um sistema de ensino formal falho, tendo em vista que, de acordo com a pesquisa, quanto maior o nível de escolaridade, menor a proporção de analfabetos funcionais. Nesse cenário, o filósofo inglês John Locke afirma que é dever estatal garantir os direitos naturais dos indivíduos, como a educação plena. Por consequência, os analfabetos funcionais encontram embara-ços ao desenvolvimento de sua vida cívida, pois não conseguem compreender cláu-sulas contratuais, discernir a veracidade das informações recebidas por redes so-ciais, conquistar empregos que exijam certas habilidades cognitivas, entre outros.
Ademais, ao lado da inoperância do Estado, as empresas privadas igualmente colaboram com a existência dessa situação. Isso porque não interessa à sociedade consumerista a emancipação intelectual e cultural dos cidadãos por meio da edu-cação. O sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Globalização”, assevera que o capitalismo desestimula a educação dos povos com o intuito de reforçar a lógica consumista. Nesse viés, consequentemente, aumenta-se a quantidade de pessoas sujeitas ao analfabetismo funcional, para as quais serão oferecidas vagas de emprego, cuja remuneração é baixa. Em suma, um analfabeto funcional é mão-de-obra barata para o mercado privado.
Diante do exposto, a fim de reduzir o analfabetismo funcional no Brasil, é imprescindível que o Ministério do Trabalho e Emprego, mediante portaria, exija colaboração das sociedades empresárias na formação educacional de seus empregados. Somente assim, com a colaboração da iniciativa privada e do Estado, reduzir-se-ão as mazelas do analfabetismo funcional no Brasil.