Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 29/09/2023
No poema “Os inocentes de Leblon”, de Carlos Drummond de Andrade, um grupo de pessoas ignoram a realidade nacional enquanto tomam banho de sol. Na atualidade, frente aos problemas do analfabetismo funcional no Brasil, o governo e a população parecem desconsiderar as consequências dessa problemática, que tem como causas a inobservância estatal e as raízes históricas.
Sob essa perspectiva, vale salientar que a omissão governamental dificulta o combate ao analfabetismo funcional. Isso ocorre pelo pouco investimento na educação, devido à má administração das verbas destinadas a tal setor. Paralelo a isso, de acordo com Milton Santos, geógrafo brasileiro, o Brasil possui uma cidadania mutilada, pois direitos como o da educação não são assegurados. Dessa forma, muitas pessoas não tem acesso a um ensino de qualidade, com bons profissionais, salas equipadas e materiais didáticos que possibilitem um aprendizado adequado, por consequência do deserviço estatal.
Além disso, outro fator que intensifica o problema são as raízes históricas. Dessa maneira, durante o Período Colonial só a elite tinha acesso à educação e mesmo após muitos anos esse direito continua sendo um privilégio da elite. Concomitantemente, segundo dados do Inaf (Indicador de Alfabetismo no Brasil) 29% dos brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja não possuem habilidades básicas para o currículo profissional, como interpretar textos e formular teses. Logo, problemas já existentes, como a desigualdade social e as dificuldades de inserção no mercado de trabalho, são intensificados por essa segregação social.
Portanto, o Ministério da Educação - órgão responsável por garantir o acesso a educação para todos- deve ampliar os investimentos nas escolas, por meio da contratação de mais professores e da compra de materiais didáticos de qualidade, a fim de certificar uma formação que realmente capacite os alunos e também diminua as diferenças sociais. Assim, esse problema não será mais ignorado como no poema de Drummond.