Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 26/06/2025

Na canção “Principia”, o cantor Emicida se pergunta o porquê de o Brasil ser tão amargo se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar a persistência do analfabetismo funcional no Brasil. Nesse sentido, o desinteresse estatal, bem como o silenciamento da problemática, sustentam esse quadro amargo.

Diante desse cenário, é importante destacar que o desinteresse do Poder Público ocorre porque o governo não visualiza retorno financeiro. Segundo o filósofo, Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes é a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado não toma medidas para reduzir o analfabetismo funcional, com projetos para estimular a população brasileira a ler e a interpretar textos de maneira coerente, através de meios tecnológicos e até das redes sociais, o que ocasiona, em grande escala, o aumento da disparidade intelectual, garantindo a manipulação em massa dessa sociedade, afetando o bem-estar.

Ademais, é importante salientar o emudecimento da questão. De acordo com Djamila Ribeiro - socióloga expoente brasileira -, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é notório que há uma escassez de debates quanto à importância de alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no país, que assegurem à população brasileira garantia de leitura e de interpretação consciente das informações, com objetivo de não afetar as relações sociais e de extinguir o analfabetismo.

Portanto, é imprescindível que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal -órgão responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de investimentos governamentais, em parceria com o setor midiático, o veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância de alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Tal medida tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar discussões sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Somente assim, a “casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.