Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 16/07/2022

A primeira Conferência Mundial sobre o meio ambiente foi realizada em 1972 em Estocolmo. À partir desse momento, iniciou-se o debate sobre as consequências catastróficas da relação predatória do homem com a natureza. Contudo, esse pensamento de destruição, disfarçado de desenvolvimento, está enraizado desde o início da revolução industrial no século XVIII. Assim, muitos indivíduos não conseguem perceber a gravidade do aquecimento global, em virtude de problemas cotidianos e interesses obscuros em questão.

Primeiramente, a maior parte da população mundial é desfavorecida economicamente, em consequência não conseguem solucionar situações básicas, como alimentação. Para exemplificar isso, o livro Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, narra a história de uma mãe favelada e catadora de lixo que não consegue garantir o mínimo de vida digna para ela e seus filhos, em virtude da falta de oportunidades descentes. Dessa forma, não dá para desejar que essas pessoas se preocupem com as consequências futuras do aquecimento global daqui a quinze anos, se elas nem sabem se conseguirão comer amanhã.

Ademais, existe uma elite econômica que lucra com a destruição ambiental e essa preocupação com o aquecimento global atrapalha seus negócios. Nesse sentido, a campanha eleitoral do Donald Trump foi financiada em grande parte por carvoarias cujo capital é ameaçado com o discurso ambientalista. Esse apoio, após consolidada sua vitória, resultou na retirada dos EUA do acordo de Paris. Dessa forma, essas indústrias que contribuem com o aquecimento global patrocinam políticos que desmerecem essa questão para torná-la irrelevanta perante a opinião pública.

Portanto, o aquecimento global ainda não é visto com seriedade por causa da vida difícil do povo e por motivações econômicas de indústrias poluidoras. Então, é fundamental que o Estado defenda medidas de distribuição de renda, como a famosa Renda básica defendida pelo ex-senador Eduardo Suplicy. Para tal é necessário taxar as grandes fortunas, para que as famílias carentes recebam esse auxílio do governo e consigam ter uma vida digna. Só assim, elas poderão preocupar-se com os desafios futuros relacionados com a natureza.