Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 19/07/2022

A onda de calor que assola a Europa novamente neste verão mostra que os efeitos do aquecimento global já são perceptíveis no tempo presente. No entanto, apesar dos alertas frequentes de que o futuro do clima no planeta é funesto, a questão ainda não é vista com a seriedade necessária. Tal recusa em aceitar as evidências é o resultado de interesses econômicos selvagens e da falta de vontade política para esmiuçar o assunto.

Em primeiro plano, convém destacar que no sistema capitalista vigente o crescimento contínuo das economias acirra as emissões de gases de efeito estufa. Nesse contexto, a expansão da fronteira agrícola em direção ao coração da floresta amazônica, por meio de queimadas e sob a justificativa de que a economia brasileira precisa crescer - como afirma o membro da bancada ruralista Alceu Moreira -, expõe uma realidade predatória dos recursos naturais que contribui para o aquecimento da Terra. Portanto, é evidente que há um choque quase inconciliável entre interesses econômicos e reduções de emissões.

Para além disso, é preciso destacar que os líderes políticos ao redor do mundo não se empenham à altura da gravidade que o problema exige. Nesse viés, o filósofo Francis Bacon cunhou a frase “saber é poder” que representa uma das máximas do pensamento Iluminista e reflete a capacidade do homem fazer uso de sua racionalidade para controlar a natureza em seu favor. Sendo assim, o homem, diante de sua vontade, seria capaz de angariar recursos, materiais e imateriais, para solucionar um problema. No entanto, a falta de consenso dos representantes de governos nas Conferências das Partes (COPs) mostra o oposto. Vê-se, pois, que o clima não é uma prioridade na agenda de discussões da política global.

À vista do exposto, fica evidente que o aquecimento global precisa s er endereçado de maneira séria e sem adiamentos. Para tanto, é imperioso que os líderes dos países, por meio das Conferências da Nações Unidas para o Clima, ratifiquem e coloquem em prática as medidas de redução de emissões que constam no Tratado de Paris. Tal iniciativa objetiva frear a elevação de temperatura que coloca a vida na biosfera sob risco. Dessa forma, será possível esperançar que o verão não carregue as consequências da pegada antrópica no planeta.