Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 22/07/2022

A obra “Utopia”, do escritor britânico Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, caracterizada pela ausência de problemáticas. No entanto, no que concerne à contemporaneidade brasileira, observa-se o oposto do que o autor prega, uma vez que o corpo social é marcado por diversas tensões, dentre as quais, vale destacar o descaso com o aquecimento global. Tal cenário antagônico é fruto não somente da omissão estatal, mas também da equivocada abordagem midiática acerca do tema.

Antes de tudo, é fulcral pontuar que o viés deriva da baixa atuação dos setores governamentais. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, mas é evidente que tal responsabilidade não se efetiva completamente, uma vez que há escassez de mecanismos que visem a combater as alterações climáticas e a preservar o equilíbrio dos ecossistemas mundiais. Desse modo, em consequência da negligência das autoridades, grande parte dos cidadãos é influenciada pela postura estatal e não têm consciência da gravidade da situação, de modo que não contribuem para atenuar seus impactos.

Ademais, é imperativo ressaltar os meios de comunicação como promotores do problema. O documentário “O Dilema das Redes” demonstra como as redes sociais são capazes de manipular os usuários, inibindo seu pensamento crítico. De maneira análoga ao ambiente virtual, a imprensa, muitas vezes, além de exibir informações tendenciosas, atrai a atenção dos telespectadores para aquilo que é mais conveniente, o que acarreta certa menosprezo com questões cruciais, como o aquecimento global, que não são suficientemente discutidas.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham mitigar os impactos negativos decorrentes de posturas negacionistas no que se refere à intensificação do efeito estufa. Dessa maneira, cabe ao Estado, por meio de propagandas e campanhas, informar a população sobre a temática e estimulá-la a promover ações contra o avanço dos impactos ambientais. Outrossim, necessita-se investir na educação, a fim de criar cidadãos com posturas ativas e que estejam preocupados com o meio ambiente. Somente assim, a coletividade poderá se aproximar da utopia de More.