Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 02/08/2022

O mito da caverna de Platão descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair da sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao aquecimento global. À luz dessa lógica, é possível observar que a falta de seriedade com que o tema é tratado, é oriundo da falta de conhecimento e da carência de representatividade científica.

Sob esse viés, pode se apontar como um empecilho para que as mudanças climá-ticas ganhem notoriedade, a ignorância de parte da população que ecoa sobre o assunto. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam o seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre os impactos da espécie humana no planeta, a sua visão será limitada, perpetuando o problema.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de representatividade científica. Conforme o antropólogo Montegazza “A ciência é o melhor instrumento para medir a nossa ignorância”. Como demonstra essa perspectiva, a pesquisa científica é essencial para se diagnosticar problemas e chegar nos seus detalhes, como no caso do aquecimento global e das causas que o fazem tão ignorado pela população. Assim como não há uma base sólida de investimentos em pesquisa ciência, no que se refere ao problema, dificulta-se a sua resolução.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Torna-se imperativo, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com os divulgadores científicos, desenvolvam iniciativas para dar visibilidade à comu-nidade científica e a projetos relacionados ao aquecimento global. Isso se dará através da divulgação de vídeos sobre projetos de pesquisa nas redes sociais, a fim de que a população tenha um maior entendimento do método científico, por consequência, compreenda a seriedade das mudanças climáticas. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.