Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 06/10/2022

Aquecimento global, relações econômicas e “banalização do mal”

Derretimento das calotas polares. Temperaturas cada vez mais elevadas. Modificação no habitat natural. Diversas são as consequências oriundas do aquecimento global, entretanto, apesar de tantos avisos, a questão ainda não é vista com a devida importância, devido a supervalorização das relações econômicas e da “banalização do mal”.

Em primeiro plano, em uma breve análise histórica do comportamento humano em relação ao meio ambiente é nítida uma depredação da natureza em prol de um interesse econômico, tal como afirmou o sociólogo Karl Marx, em seus escritos, ao relatar que eram as relações econômicas que determinavam todas as demais. Nesse sentido, são diversos os exemplos que confirmam tal entendimento, como a supressão, segundo o ICMbio, de mais de 70% da Mata Atlântica do litoral brasileiro devido ao extrativismo, a agropecuária e a indústria, o que contribui para a catalização do efeito estufa, visto que reduz o sequestro de carbono e aumenta o número de gases causadores do efeito estufa na atmosfera.

Ademais, desde o processo de sedentarização do homem, salvo em pequenas comunidades, não é observado uma atenção e cuidado com o meio que o cerca, sendo essa atitude repassada de geração em geração, adquirindo atributo de normalidade, o que se alinha ao conceito da socióloga Hannah Arendt de “banalização do mal”, referindo-se a atitudes violentas ou descuidadas que ao serem repetidas diversas vezes deixam de ser observadas pela sociedade como algo negativo e adquirem caráter comum. Dessa forma, é previsível que o aumento da temperatura no planeta seja ignorado ao invés de ser analisado com seriedade.

Portanto, é fundamental uma intervenção que tangencie o sistema educacional, podendo ter como agente, no Brasil, o Ministério da Educação, atuando por meio da inserção da disciplina de consciência ambiental na grade curricular escolar, desde os primeiros anos de ensino até a conclusão do ensino médio, objetivando, assim, romper com o ciclo de normalizar desequilíbrios ambientais e permitir a esses futuros profissionais tomar decisões que pondere questões além das econômicas, para, assim, encarar o aquecimento global com seriedade.