Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 11/10/2022

Zygmunt Bauman, famoso sociólogo, acredita que, na modernidade hodierna, o individualismo reina. Nessa ótica, o aquecimento global, importante questão social, é tratado com desdém na sociedade brasileira, uma vez que, por acreditar não ser afetado, o indivíduo não trata esse assunto com seriedade. Os alicerces desse cenário são: a inoperância estatal e a tramoia da elite agropecuária.

Sob uma primeira análise, é importante ressaltar o débil trabalho do Estado. Nesse sentido, segundo o jornalista Gilberto Dimenstein, em sua obra literária “O Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é cheia de leis que, por vezes, não saem do papel. Por esse ângulo, a ideia de Dimenstein se concretiza, pois os cidadãos brasileiros são privados de seu direito constitucional de acesso à informação, já que, em um país que grande parcela da população é desempregada e a informação é tratada como moeda, muitos não tem acesso a ela e tornam-se alienados a uma questão que afeta diretamente sua segurança. Logo, é fulcral a dissolução desse quadro.

Além disso, deve-se salientar que a elite agropecuária se beneficia com todo esse caos e trabalha para mantê-lo. Na floresta amazônica, existe um fenômeno chamado “Sequestro de Carbono”, esse consiste na massiva transformação de carbono - um dos gases protagonistas do aquecimento global - em oxigênio pela flora. No entanto, existem aqueles que desmatam essa flora, se revelando como um empecilho nesse processo, a fim de obter maior área de cultivo e, portanto, mais lucro. Por essa ótica, uma elite é beneficiada pela alienação da sociedade, e, por isso, financia essa ignorância pagando políticos para apoiá-los nas questões jurídicas e sociais. Dessarte, são inadiáveis medidas para remediar essa situação.

Há, portanto, a necessidade de findar esse problema. Para tanto, o Ministério das Comunicações - na função de comunicador do Governo Federal - deve investir na divulgação de informação gratuita, por meio da estatização de bancas de jornais e redução do valor dos jornais a zero, com o fito de prover o acesso à informação a todos. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça - responsável pela defesa da ordem jurídica - encerrar com a influência da elite agropecuária na política, através da aplicação de multas a políticos transgressores, a fim de promover a democracia plena. Assim, a sociedade brasileira será o oposto da retratada por Dimenstein.