Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?
Enviada em 27/10/2022
Na canção “The Greatest”, Lana Del Rey, artista norte-americana, faz menção aos incêndios florestais na Califórnia em 2017, citando que “Los Angeles está em chamas, e está ficando quente”. Tais desastres ambientais são consequências das mudanças climáticas fomentadas pelo aquecimento global, fenômeno esse que apesar de reverberar de diversas formas, é negligenciado por políticas estatais que antepõe a economia, e pelo restrito conhecimento da população acerca de seus eventos.
A princípio, vale abordar que a ação antropológica afeta diretamente a problemática, sendo o setor industrial o maior resposável pela emissão de poluentes (que agravam a situação), conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). De acordo com o sociólogo Noam Chomsky, o Estado Moderno socializa os riscos de produção, mas privatiza o lucro. Analogamente, o protecionismo sobre as empresas perante seus impactos ambientais, através da ineficácia ou ausência da aplicação de medidas sustentáveis, desconsidera o bem-estar social e beneficia apenas o mercado financeiro.
Ademais, a discussão geral acerca do aquecimento global torna-se remota da maioria em virtude do desconhecimento científico. Segundo a filosofia aristotélica, os saberes intelectuais e sensíveis formam, simbioticamente, o conhecimento. Desse modo, é mais viável pautar, por exemplo, as ondas de calor, as secas extremas e a crescente frequência de tempestades, em detrimento do aumento da temperatura média terrestre, visto que são fenômenos palpáveis a todos, logo, mais compreensíveis.
Portanto, para que as mudanças climáticas sejam seriamente debatidas, é priori que as lideranças governamentais, assistidas pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), apliquem leis ecológicas sobre suas industrias, responsabilizando-as por seus danos ambientais. Além disso, é fundamental que a mídia divulgue a efetividade dessas medidas, a fim de que o corpo social adquira mais consciência sobre a problemática. Assim, as transformações desarmônicas do meio se tornarão apenas lírismo, e não realidade.