Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 15/07/2023

A Constituição Federal foi promulgada sob um contexto social em que a pauta do aquecimento global estava em ampla discussão. Assim, em 1988, a Carta Magna abarcou a obrigação do Estado em preservar o meio ambiente para as futuras gerações. Todavia, constata-se que os interesses comerciais prevalecem sobre a preservação do meio ambiente e esse fenômeno encontra no negacionismo um alicerce para a contínua perpetuação.

Inicialmente, cabe pontuar que é simples entender o funcionamento da máquina capitalista. Por exemplo, durante a colonização do território que hoje compreende a região de São Paulo, plantou-se cana de açúcar intensivamente, até o momento que o solo se exauriu. Em seguida, a região foi abandonada pelos colonizadores, que migraram para o interior em busca de terras férteis. Esse episódio comprova o inegável fato que a busca pela acumulação é característica essencial do sistema produtivo capitalista, enquanto enfrentar as consequências dessa prática não estão no modus operandi do capital.

Ademais, é válido pontuar que a opinião pública acerca dos impactos do aquecimento global tem caráter negacionista. Nesse viés, pesquisadores norte americanos ligados à Columbia University constataram que, para a população, as mudanças climáticas são assuntos confusos, pois não se fala sobre a pauta nos veículos midiáticos. Dessa forma, mais uma vez destrinchando a lógica capitalista, infere-se que, quanto menos o povo souber, melhor será para a máquina mercante. Afinal, enquanto o assunto não é tratado com seriedade, o meio ambiente não tem amparo e está a mercê do capitalismo selvagem.

Por fim, depreende-se que as premissas contidas na Constituição Federal necessitam de ação contundente para serem efetivamente garantidas. Em outras palavras, cabe ao Poder Executivo -órgão incumbido da representatividade do povo- assumir o compromisso de preservar o planeta para as próximas gerações. Para isso, deve-se investir na padronização dos indicadores de controle ao desmatamento para impedir a exploração predatória, a fim de que seja possível conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação da fauna e flora do território brasileiro.