Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?
Enviada em 15/07/2023
A Constituição Federal foi promulgada sob um contexto social em que a pauta do aquecimento global estava em ampla discussão. Assim, em 1988, a Carta Magna abarcou a obrigação do Estado em preservar o meio ambiente para as futuras gerações. Todavia, constata-se que os interesses comerciais prevalecem sobre a preservação do meio ambiente e esse fenômeno encontra no negacionismo um alicerce para a contínua perpetuação.
Inicialmente, cabe pontuar que é simples entender o funcionamento da máquina capitalista. Por exemplo, durante a colonização do território que hoje compreende a região de São Paulo, plantou-se cana-de-açúcar intensivamente, até o momento que o solo se exauriu. Em seguida, a região foi abandonada pelos colonizadores, que migraram para o interior em busca de terras férteis. Esse episódio comprova o inegável fato que a busca pela acumulação é característica essencial do sistema produtivo capitalista, enquanto enfrentar as consequências dessa prática não estão no modus operandi do capital.
Ademais, é válido pontuar que, no Brasil, a opinião pública acerca dos impactos do aquecimento global tem caráter negacionista. Nesse viés, convém mencionar que esse engodo é impulsionado por governos favoráveis à exploração irresposável, como a atuação do ex ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que afirmou ser propício “passar a boiada” enquanto o foco da mídia não era a Amazônia. Desse modo, infere-se que é útil à máquina mercante que o povo não esteja informado sobre os impactos do aquecimento global, tendo em vista que a vontade pública é deveras importante para a inserção da agenda ambiental nos planos de governo.
Por fim, depreende-se que as premissas contidas na Constituição Federal necessitam de ação contundente para serem efetivamente garantidas. Em outras palavras, cabe ao Poder Executivo -instituição incumbida da representatividade do povo- assumir o compromisso de preservar o planeta para as próximas gerações. Para alcançar esse objetivo, deve-se intensificar a fiscalização de agentes desmatadores por meio da ação da Polícia Federal, a fim de impedir a exploração predatória. Como resultado, será possível unir o desenvolvimento econômico com a austeridade governamental em prol das matas do Brasil.