Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 15/08/2023

Durante a história da humanidade, o homem conviveu com eventos naturais devastadores, por exemplo, a erupção vulcânica em Pompeia e o grande terremoto em Porto no século XVIII. Entretanto, segundo o filósofo Rousseau, não há tragédias ambientais, na verdade, existe fenômenos naturais, mas a extensão e os danos deles são decorrentes de decisões políticas. Nessa perspectiva, apesar de o aquecimento global ser um evento natural, decisões governamentais tem influenciado a falta de seriedade no gerenciamento dessa alarmante questão e, por consequência, aumentado a sua intensidade.

Convém ressaltar, inicialmente, que o argumento utilizado para sustentar o descaso em relação ao aquecimento global é fundamentado no fato de ele ser um fenômeno natural. Nesse sentido, uma vez que as eras geológicas são marcadas por períodos de resfriamento e de aquecimento, algumas vertentes políticas se apropriam dessa narrativa para legitimar suas ações puramente mercadológicas. Ademais, em seu livro “O capital”, Karl Marx disserta sobre como, em uma sociedade capitalista, o dinheiro é priorizado em detrimento das quesões coletivas, ou seja, entre ter custos investindo em meios para mitigar o efeito estufa, e justificar tal descaso, em benefício monetário, opta-se pela segunda opção; sobrepondo, então, os valores políticos sobre os sociais.

Porém, malgrado o efeito estufa ser natural, é evidente que a ação antrópica está acelerando, bem como intesificando os seus efeitos. Efetivamente, recentes acontecimentos, como o aumento do período de seca na África Central, ratificam a necessidade de ações enérgicas contra essa ameaça, haja vista que fenômenos como o exemplificado interferem na produtividade alimentícia, de modo que pode desencadear conflitos por comida. Logo, as consequências, em virtude da negligência, do aquecimento global na vida dos cidadãos é agravada por decisões governamentais cuja responsabilidade não deve ser minimizada sob um discurso de que está situação é uma tragédia, pois, como diria Rousseau, a extensão dos efeitos dos fenômenos naturais é dever político.

Diante do exposto, fica claro que o argumento usualmente apropriado