Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?
Enviada em 16/08/2024
A Constituição Federal de 1988 inovou, em relação às anteriores, ao positivar a proteção e preservação do meio ambiente como um dos deveres do Estado e da coletividade. Referido dever implica o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações. No entanto, embora haja consenso na ciência sobre a existência do aquecimento global, a complexidade do assunto e o viés otimista da população ainda impedem que as mudanças climáticas sejam vistas como sérias ameaças.
Com efeito, houve um aumento das emissões de gases do efeito estufa - gás carbônico CO2 - na atmosfera nos últimos 100 anos. Esse aumento foi resultado de mudanças na atividade humana, como a Revolução Industrial, os padrões do uso da terra - desmatamento -, da energia e dos transportes. E tais mudanças têm como consequências o aumento do nível do mar, das ondas de calor, dos períodos de seca e das inundações, de modo que elas já vêm sendo experimentadas por um número cada vez maior de pessoas, como ocorreu esse ano no Rio Grande do Sul.
Apesar disso, a complexidade das questões ambientais, que são transversais às questões econômicas, políticas e sociais, bem como o viés otimista da população têm implicado a insegurança ecológica. Isso ocorre porque as probabilidades com as quais a ciência lida subsidiam o otimismo - exagerado - da população. Por conseguinte, essas eventuais mudanças são vistas como algo que ocorrerá apenas em outros lugares e em outro tempo. Ademais, acreditar nelas geraria o difícil dever de alterar os padrões de consumo e de vida ao qual está habituada, em razão da observância ao princípio ético da solidariedade e da responsabilidade ambiental, conforme afirmado por Hans Jonas.
Dessa forma, não apenas à coletividade mas também ao Poder Público cumpre se responsabilizar pela realização de medidas que minimizem a emissão de CO2 na atmosfera, ainda que inexista certeza absoluta sobre o prejuízo futuro do aquecimento global. Tal medida deve ser feita por meio de incentivos fiscais aos fabricantes e consumidores dos produtos com menores pegadas de carbono, de campanhas de educação ambienta, a fim de construir uma cidadania ambiental, com desenvolvimento econômico que seja ambientalmente justo e duradouro.