Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?
Enviada em 23/09/2024
As revoluções industriais, a partir de 1760, levaram à intensa e irresponsável exploração dos recursos naturais, agravando diversos problemas, sobretudo o aquecimento global. Contudo, mesmo com as claras consequências do contexto mencionado, há, no Brasil atual, grande desconsideração do aquecimento global como uma ameaça. Nesse sentido, essa problemática ocorre em virtude da precariedade acadêmica e da negligência governamental.
Em primeiro plano, faz-se relevante trazer o fator educacional à discussão abordada. À luz disso, baseando-se na reflexão de Nelson Mandela, que afirma a educação como “a arma mais poderosa para mudar o mundo”, identifica-se a escolaridade como fator crucial na formação do indivíduo. À exemplo disso, os resultados da pesquisa por Debika Shome e Sabine Marx, nos EUA, em relação às questões climáticas indicam o assunto ser “confuso” para pessoas leigas, as quais normalmente o associam a negociações políticas. Assim, a baixa qualidade escolar torna-se um empecilho à compreensão do aquecimento global no Brasil.
Ademais, visto a influência estatal, esse fator jamais capacitaria-se a tomar total responsabilidade pelo tema. Nesse viés, tomando a obra “Ética a Nicômaco”, por Aristóteles, como norte, percebe-se forte contradição do governo brasileiro aos ideais do filósofo — que concede ao Estado o dever de dedicar sua serventia ao bem estar do povo. Consequentemente, a população brasileira torna-se vítima de seu sistema político, que preza pelo acúmulo de capital e desconsidera os riscos dessa prática à área socioambiental. Logo, a discrepância estatal às virtudes de Aristóteles contribui para a manutenção de uma sociedade omissa, indiferente às tensões ambientais e, por conseguinte, alvo das mesmas.
É evidente, portanto, que esse quadro exige por mudanças urgentes. Para tanto, o Ministério da Educação deve incluir, na rotina pedagógica do ensino médio, debates sobre o cenário ecológico atual. Paralelamente, o Ministério do Meio Ambiente há de conscientizar os indivíduos do país a partir do uso de elementos midiáticos acessíveis, como a TV aberta. Assegura-se, dessa forma, a instrução acadêmica virtuosa dos cidadãos, construindo uma nação reconhecedora do aquecimento global como uma ameaça tanto ao meio quanto ao homem.