Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?
Enviada em 23/09/2024
No livro “O código perdido”, a humanidade se abriga em grandes domos cober-tos para se isolar da temperatura externa e da radiação solar. Apesar de distópico, o cenário é uma projeção das possíveis consequências do aquecimento global desenfreado, que, infelizmente, ainda não têm seu devido reconhecimento pela sociedade, devido à lógica individualista e à desinformação acerca do tema.
Em primeiro lugar, a busca pelo benefício próprio é um agravante do problema supracitado. De acordo com Max Weber, pioneiro do pensamento capitalista, a ló-gica do egoísmo econômico parte de uma premissa imoral, porém produz resulta-dos benéficos para a população. No entanto, ao analisar sob a ótica do equilíbrio do ecossistema, tal afirmativa se mostra contraditória, pois ao visar o lucro sem pensar nos resultados posteriores, as indústrias, movidas pela queima de combus-tíveis fósseis baratos, emitem quantidades exorbitantes de gases estufa. Por con-sequência, há a aceleração do processo de aquecimento do globo e todas as suas adversidades, como, por exemplo, o derretimento das calotas polares. Com efeito, o interesse econômico, sem sustentabilidade, é um entrave.
Em segundo lugar, o povo está limitado ao seu meio e não possui conhecimen-to para compreender os impactos da mudança climática. De acordo com Zygmunt Bauman, a modernidade é marcada pelo individualismo e as bolhas sociais. Nesse sentido, as pessoas, por estarem inseridas em seus próprios núcleos, não reconhe-cem a extensão da consequência das próprias ações. Ademais, a falta de educação sobre a natureza reflete diretamente no tema. A título de exemplificação, existe a prática comum de queimadas, utilizada no ramo agropecuário, que é degradante para a litosfera e para a qualidade do ar. No entanto, o resultado a longo prazo não é estudado ou percebido por seus praticantes, e tal costume nocivo perdura.
Destarte, medidas devem ser tomadas para mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao Governo Federal – responsável por manter um ecossistema equili-brado – delimitar a emissão de gases nas indústrias, por meio de projetos de lei, punindo aqueles que não a cumprirem, a fim de evitar a perpetuação de uma lógica predatória; Além disso, o estudo da sustentabilidade deve ser enfatizado nas bases escolares. Assim, o cenário de “O código perdido” se afastará da realidade.