Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?
Enviada em 23/09/2024
Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, vivemos tempos de “modernidade líquida”, onde questões urgentes tendem a ser diluídas em meio à volatilidade das preocupações diárias. Nesse sentido, embora a comunidade científica tenha alertado para os efeitos devastadores do aquecimento global há décadas, a seriedade do problema ainda não foi plenamente reconhecida por grande parte da sociedade. Com efeito, a solução desse problema pressupõe o reconhecimento dos impactos ocasionados por indústrias e as chamadas “Fake News”.
Um dos principais fatores que contribuem para essa negligência é o lobby das grandes indústrias, especialmente aquelas ligadas à exploração de combustíveis fósseis. Como apontado pela jornalista Naomi Klein em sua obra “Isso Muda Tudo”, o poder dessas corporações influencia governos e impede a implementação de políticas mais severas de controle ambiental. Assim, ao priorizarem o lucro a curto prazo, essas empresas perpetuam a ideia de que o aquecimento global não representa uma ameaça iminente.
Ademais, a disseminação de informações falsas e o negacionismo climático contribuem para que o tema seja tratado com ceticismo por parte da população. O sociólogo Manuel Castells destaca, em “A Sociedade em Rede”, como a internet e as redes sociais facilitam a circulação de informações distorcidas, o que dificulta o consenso sobre a gravidade do problema. Dessa forma, esse cenário de desinformação reduz a pressão social por ações efetivas.
Portanto, é imprescindível que a sociedade reconheça o aquecimento global como uma questão urgente e inadiável. Nesse contexto, governos, ONGs e o Ministério de Educação precisam unir forças por meio campanhas de conscientização para que mostrem os impactos reais e futuros das mudanças climáticas. Além disso, é necessário um alerta não apenas nacional, mas mundial sobre as notícias falsas abrangendo este tema, por meio de comunicados feitos pelo governo e ajuda do Sistema Educacional para que a população seja ensinada e conscientizada sobre os riscos que há de sofrer ao acreditar em notícias não condizentes com a situação real.