Ameaça ignorada: por que o aquecimento global ainda não é visto com seriedade?

Enviada em 23/09/2024

Hanna Arendt, filósofa alemã, destaca o fenômeno da “Banalidade do Mal” e explica o ato da recusa do ser humano em refletir sobre as ações tomadas e na tendência em não assumir a iniciativa de seus atos, normalizando o mal. Nesse contexto, é possível notar um comportamento semelhante da sociedade, de forma em que há uma normalização do aquecimento global e seus efeitos no planeta. Esse problema possui grande proporção e está relacionado ao aumento da temperatura média do planeta em consequência da poluição e ações humanas. Nessa lógica, é possível notar a geração de energia e o desmatamento como um dos principais fatores que impulsionam o problema.

A princípio, percebe-se que a produção em grande escala de energia induz ao aumento da poluição atmosférica, visto que a queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural liberam grandes quantidades de gases com efeito estufa, como o dióxido de carbono, retendo altas temperaturas na atmosfera. Segundo relatório publicado pela Agência Internacional de Energia(IEA), a queima de combustíveis fósseis representa 87℅ das emissões de CO2. Isso porque, lamentavelmente, essas fontes energéticas estão associadas a grande parte das produções industriais, transporte e outros setores, de maneira em que não há a compensação dessas emissões na atmosfera.

Além disso, o desmatamento também é um fator agravante, uma vez que quando derrubadas, o carbono das árvores se transforma em dióxido de carbono. Segundo dados da Universidade de Maryland, em 2023, os trópicos perderam 3,7 milhões de hectares de floresta nativa. Esse desafio pode ser relacionado com o aumento do aquecimento global de maneira direta e se torna extremamente preocupante quando se analisa o crescimento desses dados a cada ano.

Urge, portanto, a adoção de ações para minimizar o problema. Nesse sentido, os governos e corporações precisam promulgar e adotar metas por meio de acordos políticos. Destarte, deve-se inserir tais leis e atribuir tecnologias como suporte para monitoramento de poluição e desmatamento, para que haja um controle sobre as condições que o aquecimento global causa. Feito isso, espera-se que a teoria de Hanna Arendt não seja equivalente a sociedade atual.